Os trabalhadores do setor bancário de todo o Brasil deram início nesta quinta-feira, 20 de julho, a uma greve de 24 horas, em resposta à rejeição da proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). A paralisação, que deve afetar as atividades bancárias por pelo menos um dia, foi aprovada após votação majoritária favorável em assembleias realizadas pelos sindicatos da categoria, com destaque para o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, que informou que cerca de 90% dos votos foram favoráveis à interrupção das atividades.
A decisão de parar as operações bancárias ocorre após as negociações entre os representantes dos trabalhadores e a Fenaban, iniciadas na semana passada, não resultarem em avanços concretos. Segundo o sindicato paulista, os bancos não apresentaram uma proposta de índice de reajuste para salários e demais verbas, apesar de terem assumido esse compromisso na rodada anterior de negociações. As conversas continuaram na terça-feira (18) e quarta-feira (19), sem que um acordo fosse alcançado, o que motivou a convocação da paralisação.
A pauta de reivindicações dos bancários inclui temas considerados prioritários pelos trabalhadores, como a obtenção de aumento real de salários, valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e dos tíquetes de alimentação, além do compromisso de não fechamento de agências e da manutenção dos empregos. Outros pontos de destaque na negociação envolvem o combate às metas abusivas, o enfrentamento ao adoecimento dos empregados, melhorias nas condições de trabalho, saúde ocupacional e a promoção de igualdade de oportunidades no setor.
O sindicato afirma que a categoria não aceitará propostas que não apresentem avanços concretos nesses temas essenciais. A rejeição da proposta também foi registrada em outros estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. No Rio de Janeiro, por exemplo, dos 1.808 votos, 1.760 foram contra a proposta da Fenaban, enquanto apenas 28 a aprovaram, além de 20 abstenções. Para a paralisação de 24 horas, 1.709 trabalhadores votaram favoravelmente, contra somente 32 votos contrários, com 67 abstenções.
No caso de Belo Horizonte, o Sindicato dos Bancários e Financiários de Minas Gerais promoveu uma campanha de interrupção das atividades, enquanto na Bahia, a entidade local declarou que a proposta apresentada pela Fenaban “não serve” às necessidades da categoria. A federação, por sua vez, manifestou otimismo em nota enviada à CNN Brasil, afirmando que espera chegar a um entendimento satisfatório para ambas as partes. A Fenaban destacou que, após receber a pauta de reivindicações em 24 de junho, as negociações seguem dentro do cronograma estabelecido, com a expectativa de alcançar um acordo que beneficie tanto os trabalhadores quanto os bancos.