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Ex-diretor de engenharia da Meta afirma que Zuckerberg foi omisso na proteção de jovens usuários

•9/11/2022 REUTERS/Peter DaSilva/Arquivo

Um ex-diretor de engenharia da Meta Platforms, Arturo Bejar, testemunhou nesta quarta-feira (19) em um julgamento federal nos Estados Unidos que o CEO da empresa, Mark Zuckerberg, foi responsável por sua omissão na implementação de medidas de proteção às crianças que utilizam as plataformas Facebook e Instagram. Bejar, que trabalhou na companhia entre 2009 e 2021 e se tornou um dos principais críticos da Meta, declarou que Zuckerberg tinha forte envolvimento nas decisões relacionadas ao design dos produtos e que a hierarquia da empresa assegurava que mudanças só fossem feitas sob sua autorização direta. Segundo Bejar, quando Zuckerberg priorizava uma questão, mudanças significativas eram implementadas em questão de meses, evidenciando seu controle sobre as estratégias da companhia.

O depoimento de Bejar marca o início de um julgamento de grande repercussão, no qual vários estados americanos — Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey — acusam a Meta de desenvolver suas plataformas de forma a viciar jovens usuários, contribuindo para problemas de saúde mental como ansiedade, depressão e até suicídio. Além disso, as autoridades estaduais alegam que a empresa engana os consumidores ao não informar adequadamente sobre os riscos associados ao uso de suas redes sociais por menores de 13 anos e que viola leis federais ao coletar e usar dados pessoais dessas crianças de forma ilegal.

A Meta negou as acusações, afirmando que as opiniões de Bejar estavam fora do escopo de seu trabalho na empresa. O ex-diretor iniciou sua participação no tribunal federal de Oakland, na Califórnia, na terça-feira, quando o julgamento teve início, e a previsão é de que o processo se estenda por aproximadamente seis semanas, com depoimentos também de Zuckerberg aguardados ao longo do procedimento.

Durante seu depoimento, Bejar revelou que a Meta utilizava métricas como interações sociais relevantes e o número de usuários ativos diários para recompensar seus funcionários, priorizando o engajamento e o lucro acima da segurança dos usuários mais jovens. Ele criticou uma ferramenta usada pela plataforma, que incentiva pausas no uso, alegando que ela foi “projetada para falhar”, pois sua configuração padrão não a ativava automaticamente e seus lembretes eram facilmente ignorados. Segundo o ex-diretor, “caminhos de todos os lados levam ao tempo de permanência no produto”, o que demonstra que a segurança sempre foi considerada uma prioridade secundária na estratégia da empresa.

Bejar também destacou que a Meta possuía tecnologia suficiente para sinalizar e exigir verificação de usuários suspeitos de terem menos de 13 anos, o que poderia envolver milhões de contas. No entanto, a companhia optou por uma política de “não pergunte, não conte”, por motivos financeiros, mesmo ciente de que crianças mais novas tendem a se tornar usuários mais frequentes no futuro. Ele afirmou ainda que a presença de crianças mais novas na plataforma é um indicativo de onde os usuários mais jovens estarão no futuro, reforçando a preocupação com o impacto a longo prazo dessa estratégia.

Especialistas consideram esse julgamento como o maior teste jurídico até hoje sobre os efeitos das redes sociais em jovens usuários. A Meta enfrenta milhares de processos semelhantes por alegados danos causados a crianças, sendo que Bejar tem sido uma testemunha-chave em três desses casos. Um deles, movido pelo estado do Novo México, resultou em uma indenização de US$ 942 milhões, além de penalidades e uma ordem judicial que obriga a empresa a modificar suas plataformas no estado. A expectativa é de que o desfecho dessas ações possa influenciar significativamente as práticas da indústria de tecnologia no âmbito da proteção infantil e da privacidade de dados.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade