A rede de varejo Casas Bahia prevê um cenário econômico mais adverso para o ano de 2027 em comparação com 2026, levando a uma estratégia de fechamento de aproximadamente 300 lojas, o que representa cerca de 30% de seu parque de unidades. A declaração foi feita pelo presidente-executivo da empresa, Renato Franklin, durante uma conferência com analistas realizada nesta segunda-feira (17), um dia após a companhia solicitar formalmente recuperação judicial, medida que reforça o momento de dificuldades financeiras enfrentado pelo grupo.
Durante a reunião, Franklin destacou que a expectativa é de que o cenário macroeconômico não apresente melhorias no próximo período. Segundo ele, a previsão é de uma deterioração das condições de crédito ao consumidor, o que impactará negativamente o desempenho da varejista. Franklin afirmou que, ao considerar esse contexto, a companhia elaborou seu plano de reorganização, incluindo o fechamento de lojas, com a intenção de evitar uma crise mais aguda e de consolidar sua operação, eliminando unidades que estavam em situação de maior vulnerabilidade.
Ele explicou que os fechamentos foram realizados de forma coordenada, em uma única fase, levando em conta uma possível piora do mercado no próximo ano. O objetivo, segundo o executivo, foi evitar a geração de uma ansiedade desnecessária entre investidores e parceiros, além de garantir que a rede elimine as lojas que estavam em condições críticas, que ele descreveu como “nas últimas”. Franklin também afirmou que a estratégia visa ajustar a operação às novas condições de mercado, priorizando a sustentabilidade financeira da companhia.
No que diz respeito às estratégias de canais digitais, Franklin revelou que a Casas Bahia irá concentrar esforços na maximização das margens de lucro em suas vendas online, reduzindo o volume de vendas não rentáveis. Ele destacou que as parcerias com marketplaces, como o acordo com o Mercado Livre firmado no ano passado, continuam sendo parte importante dessa estratégia de ajuste, atuando como facilitadores do crescimento no mercado digital. Para o executivo, esses canais representam uma oportunidade de adaptação às mudanças no comportamento do consumidor e uma maneira de manter a competitividade diante do cenário desafiador.
A decisão de solicitar recuperação judicial foi acompanhada pelo anúncio de fechamento de aproximadamente 298 unidades, o que reflete uma reestruturação profunda da rede. Franklin afirmou que essa medida foi tomada de forma coordenada e planejada, levando em consideração uma possível deterioração do mercado no futuro, e que as lojas encerradas eram aquelas consideradas em situação de maior risco, ou seja, “em estado de UTI”.
Analistas do Citi emitiram um relatório indicando que o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia pode ter um impacto marginalmente negativo sobre o Mercado Livre, devido à sua parceria com a varejista. O relatório também sugere que, para substituir a Casas Bahia na venda de eletroeletrônicos, uma futura parceria com o Magazine Luiza, que mantém um acordo comercial semelhante com a Amazon, poderia ser uma alternativa viável. Ainda assim, os analistas apontam que o Mercado Livre pode se beneficiar de um cenário de negociação mais favorável com fornecedores, o que pode melhorar sua posição no mercado.
Além da Casas Bahia, a rede de lojas Marabraz também anunciou, nesta segunda-feira, que ingressou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo, no último fim de semana, devido a uma dívida de aproximadamente R$ 140 milhões, evidenciando um momento de crise no setor de varejo de eletrodomésticos e móveis.