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Estudo propõe sistema de satélites para proteger a Terra de supertempestades solares

Nasa

Supertempestades solares, embora responsáveis por fenômenos visíveis como auroras boreais, representam uma ameaça significativa para a Terra. Esses eventos podem causar danos severos aos satélites em órbita, expor astronautas a níveis perigosos de radiação e provocar colapsos em infraestruturas tecnológicas, afetando redes elétricas e a conectividade da internet. Em resposta a esses riscos, um novo estudo sugere a criação de uma constelação de satélites que atuariam como um “airbag” para o planeta, ajudando a mitigar os efeitos adversos das supertempestades.

O projeto, denominado StormWall, é resultado de pesquisas realizadas por acadêmicos de instituições norte-americanas, incluindo a Universidade de Michigan e a Universidade de Boston. Os achados do estudo foram divulgados na revista científica Space Weather, em publicação datada de 2 de julho. Os pesquisadores afirmam que a proposta é tecnicamente viável e pode ser implementada em um futuro próximo.

As supertempestades solares ocorrem quando o Sol atinge um pico em seu ciclo de atividade, resultando em tempestades que podem ser desencadeadas por nuvens de plasma ou ejeções de massa coronal. Embora eventos desse tipo ocorram com certa frequência, a cada século, há uma probabilidade maior de ocorrência de supertempestades, sendo a mais intensa registrada em 1859. Naquela ocasião, a tempestade, conhecida como Evento de Carrington, causou estragos significativos nas comunicações telegráficas da época.

Atualmente, as defesas disponíveis contra esses fenômenos são limitadas. Os esforços se concentram em aprimorar as previsões de supertempestades e desenvolver espaçonaves e infraestrutura terrestre que possam resistir a seus efeitos. A nova abordagem proposta pelos pesquisadores envolve o lançamento de seis satélites do tamanho de um ônibus, posicionados a aproximadamente 36 mil quilômetros acima da superfície da Terra.

Esses satélites teriam a capacidade de orbitar o planeta em sincronia com sua rotação. Quando uma supertempestade solar for detectada, os satélites liberariam recipientes de gás ao longo da borda do escudo magnético terrestre. Essa ação criaria uma parede de plasma que poderia atenuar e desviar as ejeções de massa coronal, reduzindo assim a intensidade dos efeitos da tempestade. Simulações realizadas pelos pesquisadores indicam que essa estratégia pode diminuir a força de uma supertempestade em mais de 50%, oferecendo uma proteção significativa.

Brian Walsh, primeiro autor do estudo, comparou a proposta a uma comunidade que antecipa a cheia de um rio. “É como as pessoas em uma aldeia que veem um rio transbordando — talvez elas consigam prever quando isso vai acontecer, mas provavelmente seria ainda melhor se pudessem construir um muro de contenção. É isso que estamos propondo aqui”, afirmou em comunicado à imprensa.

Diante da ineficácia das proteções atuais, os cientistas enfatizam a urgência de desenvolver e implementar essa constelação de satélites para salvaguardar a infraestrutura terrestre e a segurança de todos os que dependem da tecnologia moderna. A proteção contra supertempestades solares, portanto, se torna uma prioridade no contexto das crescentes ameaças que esses fenômenos naturais representam.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade