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Descubra o funcionamento do acelerador de partículas que transforma chumbo em ouro

Ella Maru Studio /Cortesia de K. Hazzard/Rice University

Realizar a antiga aspiração dos alquimistas de converter metais comuns em ouro agora é uma realidade. Após intensos anos de pesquisa, cientistas do laboratório da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (CERN) conseguiram produzir ouro ao colidir núcleos de chumbo no acelerador de partículas conhecido como Grande Colisor de Hádrons (LHC). Este equipamento, que é o maior e mais potente do mundo, foi ativado em 2008 e está situado na fronteira entre França e Suíça.

Para alcançar essa transformação de chumbo em ouro, os pesquisadores utilizaram um calorímetro de zero grau (ZDCs) durante o experimento Alice, com o intuito de detectar nêutrons livres e quantificar a geração de núcleos de ouro. “Graças às capacidades exclusivas dos ZDCs do experimento Alice, esta análise é a primeira a identificar e examinar sistematicamente a produção de ouro no LHC de forma experimental”, afirmou a física Uliana Dmitrieva, membro da colaboração Alice no CERN.

O funcionamento do Grande Colisor de Hádrons envolve a aceleração de partículas, predominantemente prótons, a velocidades extraordinárias. Em seguida, esses elementos colidem, permitindo o estudo de suas interações e a criação de novas partículas, como no caso da conversão de chumbo em ouro.

As partículas atravessam um anel de 27 quilômetros, composto por ímãs supercondutores e diversas estruturas de aceleração que elevam a energia das partículas atômicas ao longo do trajeto. Para operar em estado supercondutor, os ímãs que direcionam as partículas são resfriados a temperaturas extremas (-271,3ºC), reduzindo a resistência elétrica. As colisões ocorrem em pontos distintos do anel, e após o impacto, as novas partículas geradas são monitoradas e analisadas por cientistas de todo o mundo.

No caso específico do chumbo, a transformação ocorreu quando dois núcleos desse elemento químico se aproximaram a uma velocidade de quase 99,999993% da velocidade da luz, gerando pulsos de fótons devido aos seus campos eletromagnéticos. Essa explosão de prótons e nêutrons alterou a identidade do elemento, resultando em um átomo com 79 prótons, que é a configuração do ouro.

O chumbo possui 82 prótons e, ao perder partículas, pode se transformar em ouro (79 prótons), tálio (81 prótons) ou mercúrio (80 prótons).

Embora esta descoberta seja fascinante, a conversão de chumbo em ouro é um processo dispendioso, ineficiente e produz quantidades mínimas do precioso metal. Portanto, a mineração tradicional continua sendo o método mais viável para encontrar ouro.

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Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade