Uma mulher brasileira de 36 anos foi presa na Indonésia, na ilha de Bali, sob suspeita de tráfico de drogas, após ser flagrada com 3,6 quilos de cocaína líquida escondida em frascos de cosméticos. A detenção ocorreu no início deste mês de outubro, e a suspeita foi identificada apenas pelas iniciais TCDS. A prisão reforça o rigor do país no combate ao tráfico de drogas, uma política que já resultou na execução de dois brasileiros por crimes semelhantes, há mais de dez anos.
A brasileira foi abordada por agentes da Polícia Regional de Bali no terminal de chegadas internacionais do Aeroporto Internacional Ngurah Rai. Durante a inspeção, os policiais encontraram a cocaína líquida disfarçada em embalagens de produtos de cuidados pessoais, o que evidencia a tentativa de burlar os controles alfandegários. A operação foi coordenada com a participação da Alfândega local, buscando reforçar a fiscalização de passageiros e mercadorias nos pontos de entrada internacionais da ilha.
As autoridades indonésias continuam investigando a origem da droga, o funcionamento da rede de distribuição e o destino final da remessa. Até o momento, não há informações adicionais sobre o andamento dessas investigações, que visam desmantelar possíveis conexões criminosas envolvidas na operação.
A mulher permanece detida na sede da Polícia Regional de Bali, enquanto os procedimentos legais estão em andamento. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, confirmou que está prestando assistência consular à brasileira, garantindo seus direitos durante o processo judicial.
A Indonésia é conhecida por sua política de tolerância zero contra o tráfico de drogas, o que, em alguns casos, resulta na pena de morte. Dois brasileiros que cometeram crimes semelhantes na década passada foram executados por fuzilamento: Marco Archer Cardoso Moreira, conhecido como Curumim, e Rodrigo Gularte. Ambos foram mortos em 2015, após serem condenados por tráfico de drogas, reforçando a severidade das leis locais.
O caso mais recente de brasileiro com envolvimento em tráfico na Indonésia ocorreu em 2025, quando um suspeito foi preso com três quilos de cocaína após desembarcar de um voo proveniente de Dubai. Segundo a agência de notícias Antara, a pessoa admitiu ter recebido instruções de um homem no Brasil para entregar a droga a um desconhecido em Bali, evidenciando a complexidade das operações internacionais.
Outro episódio relevante foi a prisão de Manuela Vitória de Araújo Farias, também na Indonésia, em 2023. Ela foi condenada a onze anos de prisão após ser flagrada com drogas no Aeroporto de Bali, escapando, assim, da pena de morte e da prisão perpétua. Sua prisão ocorreu na virada do ano, e ela foi identificada por autoridades locais após suspeitas iniciais durante inspeções de rotina.
O chefe da polícia de Bali, inspetor-geral Putu Jayan Danu Putra, explicou que a suspeita inicial surgiu após a chegada de um voo da Qatar Airways, quando os oficiais verificaram as malas da brasileira. Em uma delas, foram encontrados dois pacotes de cocaína, com peso líquido de aproximadamente 990 gramas e 637 gramas, respectivamente, o que reforça o risco e a gravidade do crime na legislação local.
Esses casos ilustram a postura rígida da Indonésia no combate ao tráfico de drogas, onde a penalidade máxima pode incluir a pena de morte, e destacam a importância de os viajantes brasileiros estarem atentos às leis do país ao ingressar em seu território.