Uma pesquisa nacional sobre Segurança e Tecnologia, conduzida pelo instituto Quaest em parceria com a Pax, revelou que 28% dos brasileiros identificam a violência como o maior desafio enfrentado no país. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (18) e obtidos pela CNN Brasil, demonstram a preocupação da população com o aumento da criminalidade e a percepção de agravamento da insegurança nos últimos anos.
De acordo com o levantamento, a violência supera outros problemas tradicionais, como corrupção, economia e saúde, que aparecem respectivamente com 22%, 19% e 15% das menções. A pesquisa foi realizada entre os dias 12 e 15 de setembro, por meio de entrevistas presenciais com 2.004 brasileiros maiores de 16 anos, garantindo uma margem de erro de dois pontos percentuais e um nível de confiança de 95%.
A percepção da violência como principal problema varia entre diferentes grupos demográficos. Entre as mulheres, esse índice é de 29%, enquanto entre os homens é de 25%. Quanto às faixas etárias, 26% dos jovens de 16 a 34 anos e de 35 a 59 anos apontam a violência como prioridade, enquanto entre os idosos, essa porcentagem sobe para 38%. Regionalmente, a preocupação com a violência também apresenta variações: na região Nordeste, 35% dos entrevistados consideram o tema como o maior problema, contra 29% na Norte, 25% no Sudeste, 23% no Sul e 18% na região Centro-Oeste.
A pesquisa também aponta um aumento significativo na percepção de insegurança. Setenta por cento dos entrevistados afirmam que a violência no Brasil intensificou-se consideravelmente nos últimos dois anos, enquanto 9% dizem que houve um aumento moderado. Apenas 15% avaliam que a situação permaneceu igual, e 5% percebem uma redução, sendo que 4% afirmam que a violência diminuiu pouco e 1% que ela diminuiu bastante.
Entre os que percebem esse aumento, a maioria (73%) atribui o cenário ao crescimento do número de crimes e à maior violência dos delitos, enquanto 14% acreditam que houve aumento apenas na quantidade de crimes e 12%, somente na violência dos delitos. A percepção sobre a punição também reflete esse quadro de insegurança: 67% dos brasileiros acreditam que a punição aos criminosos ficou mais branda nos últimos anos, enquanto 22% consideram que ela se intensificou, e 11% não souberam ou preferiram não opinar.
No que diz respeito às instituições de segurança pública, as polícias aparecem com avaliações mais positivas do que os governos estadual, federal e o Judiciário. A Polícia Militar, por exemplo, é avaliada positivamente por 45% dos entrevistados, seguida pela Polícia Federal, com 44%, e pela Polícia Civil, com 41%. Quanto às funções específicas, 38% dos brasileiros consideram a captura de foragidos como a área de maior eficácia das forças policiais, enquanto investigação, patrulhamento e abordagem de suspeitos aparecem com avaliações semelhantes, próximas a 36%.
Por outro lado, o combate às facções criminosas é apontado como o aspecto mais negativo na atuação policial, com 43% de avaliações desfavoráveis, contra 27% que veem o trabalho de forma positiva. A questão da violência contra a mulher também recebe avaliações predominantemente negativas: 39% dos entrevistados consideram o trabalho das forças policiais insuficiente nesse âmbito, enquanto 32% acreditam que há avanços.
Esses dados reforçam a preocupação da população brasileira com a segurança pública e indicam uma percepção de agravamento na situação de violência no país, refletindo a necessidade de políticas mais eficazes para o enfrentamento dos delitos e a redução da sensação de insegurança.