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Venda ilegal de emagrecedores à base de GLP-1 se intensifica em redes sociais e grupos de mensagens no Brasil

•Reprodução

A circulação de medicamentos ilegais à base de GLP-1, como a tirzepatida, tem aumentado de forma significativa nas redes sociais e grupos de mensagens instantâneas no Brasil, apesar de serem proibidos pelo governo brasileiro. Esses produtos, conhecidos por nomes variados como TG, Lipoless, Lipoland, Gluconex e Tirzec, são comercializados livremente no Paraguai, onde são liberados, mas permanecem proibidos no Brasil, onde o único medicamento autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do perfil é o Mounjaro, que exige prescrição médica e retenção de receita.

Apesar das restrições, a venda e publicidade desses supostos medicamentos continuam a ocorrer de forma clandestina. Usuários e vendedores compartilham dicas de como adquirir os produtos na cidade paraguaia de Ciudad del Este, na fronteira com Mato Grosso do Sul, especialmente em Pedro Juan Caballero, e de como importar esses itens de contrabando para o Brasil, recebendo-os em suas casas. Os grupos de WhatsApp, que circulam livremente na internet, oferecem links para farmácias clandestinas, onde é possível encontrar promoções, testemunhos de consumidores e suporte de atendimento ao cliente.

A pena de 10 a 15 anos de prisão por contrabando de medicamentos não parece intimidar os envolvidos, incluindo organizações criminosas que, segundo informações da Receita Federal, são as principais compradoras desses produtos ilegais. Enquanto o medicamento legalizado e regulamentado pela Anvisa, como o Mounjaro, pode ser adquirido em sites brasileiros mediante prescrição, os medicamentos contrabandeados, como a tirzepatida, são enviados sem a refrigeração adequada, o que compromete sua eficácia.

Vendedores, como uma pessoa identificada apenas como “Carol”, oferecem tabelas de preços variando entre R$779 e R$929, com frete grátis para o Brasil e estoques limitados. Os depoimentos de clientes reforçam a narrativa de sucesso na compra, com fotos e vídeos de remédios entregues e relatos de perda de peso, mesmo sem a devida refrigeração. Além disso, os grupos de compra também discutem estratégias para evitar rastreamento por parte das autoridades, orientando os usuários a esconderem as logos das transportadoras, como a J&T Express, utilizada no envio.

A operação de transporte desses medicamentos é feita por empresas de logística, como a J&T Express, que afirma estar em contato com as autoridades brasileiras e reforça o cumprimento das regulamentações locais. Ainda assim, a Receita Federal relata um aumento expressivo nas apreensões na fronteira de Mato Grosso do Sul, que atingiram mais de 76 mil unidades de medicamentos avaliadas em aproximadamente R$ 19 milhões no primeiro semestre de 2026, um recorde histórico. A maior dificuldade está na fiscalização terrestre e aeroportuária, especialmente na região de fronteira com o Paraguai, onde várias rotas, incluindo as cidades de Ciudad del Este, Salto del Guairá e Pedro Juan Caballero, são utilizadas para entrada ilegal de medicamentos.

A Anvisa reforça que o medicamento T36, uma versão ainda não proibida oficialmente no Brasil, é comercializado por vendedores que alegam tratar-se de uma nova versão da tirzepatida não proibida no país. No entanto, a agência esclarece que o produto não foi autorizado para uso no Brasil e sua importação, mesmo que para uso pessoal, é ilegal, embora a legislação permita a importação de pequenas quantidades mediante justificativa médica e apresentação de receita.

Além da venda clandestina, há um mercado paralelo de serviços de orientação médica online, com consultas que variam de R$70 a R$90, além de opções mais completas que incluem receituário, atestados e laudos médicos, muitas vezes com profissionais que alegam estar registrados no Conselho Regional de Medicina, embora a verificação de registros ativos indique que nem todos os profissionais citados estão devidamente registrados.

O interesse pelo tema é alimentado por influenciadores digitais e usuários de redes sociais, que compartilham experiências, dicas de atravessamento de fronteira, preços e recomendações de farmácias clandestinas, muitas das quais mantêm perfis públicos e anúncios de venda. Os medicamentos são popularmente chamados de “queridinhas” ou “canetas do Paraguai”, e a publicidade clandestina é intensa, com campanhas que promovem a compra de produtos contrabandeados, muitas vezes com promessas de entregas rápidas e descontos em compras no atacado.

A prática representa um risco à saúde dos consumidores, além de configurar crime de contrabando, que tem sido cada vez mais combatido pelas autoridades brasileiras. A Receita Federal destaca que a fronteira com o Paraguai continua sendo a principal rota de entrada desses medicamentos ilegais, com ações de fiscalização intensificadas, incluindo operações específicas para coibir o comércio ilícito. O aumento nas importações legais de medicamentos com hormônios polipeptídicos, como as canetas de semaglutida e tirzepatida, também é notado no Brasil, impulsionado pela produção nacional após a quebra de patentes, o que, no entanto, não impede o crescimento do mercado ilegal de contrabando.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade