O Brasil enfrenta, neste mês de agosto, um período de temperaturas excepcionalmente altas, com registros que podem atingir até 42°C em diversas regiões do país. Apesar da forte onda de calor, meteorologistas esclarecem que o fenômeno atual é classificado como um veranico, e não uma onda de calor, devido às suas características específicas.
Um veranico é definido como um período de pelo menos cinco dias consecutivos com temperaturas significativamente acima da média para a época do ano, obrigatoriamente ocorrendo durante o outono ou inverno. Entre as principais características desse fenômeno estão as tardes bastante quentes e secas, acompanhadas de madrugadas mais frescas, o que o diferencia de uma onda de calor mais intensa, na qual as temperaturas noturnas também permanecem elevadas. No episódio atual, as máximas devem registrar pelo menos 3°C acima do normal, podendo chegar a uma diferença de até 5°C em algumas localidades.
A distinção fundamental entre veranico e onda de calor reside na intensidade e na persistência das temperaturas, especialmente durante as noites. Enquanto o veranico apresenta temperaturas elevadas durante o dia, com noites mais amenas, as ondas de calor podem ocorrer em qualquer estação do ano, inclusive no verão, sendo agravadas por bloqueios atmosféricos que impedem a entrada de frentes frias, levando a uma elevação contínua das temperaturas por períodos prolongados.
Para que um fenômeno seja tecnicamente considerado uma onda de calor, é necessário que as temperaturas fiquem pelo menos 5°C acima da média por mais de cinco dias consecutivos. No atual episódio, que ocorre entre os dias 12 e 19 de agosto, trata-se do terceiro veranico registrado neste inverno, sendo o mais longo e abrangente do ano. Durante esse período, as temperaturas máximas podem atingir até 42°C em regiões como Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Pará, Maranhão e Piauí. Além disso, sete capitais brasileiras podem superar seus recordes de temperatura anual: Cuiabá, Goiânia, Campo Grande, Brasília, Palmas, Porto Velho e Teresina.
O calor intenso também atinge áreas do interior de São Paulo, Triângulo Mineiro e oeste da Bahia, demonstrando a extensão do fenômeno por diversas regiões do país. A intensificação do calor está relacionada à circulação de ventos sobre a América do Sul, que dificulta a entrada de massas de ar frio de origem polar no interior do Brasil. As frentes frias previstas para os próximos dias devem avançar pelo extremo sul do país, seguindo em direção ao oceano, enquanto na costa do Sudeste essas frentes terão passagem mais oceânica e enfraquecida. Entre os dias 12 e 19 de agosto, a previsão indica a passagem de duas frentes frias pela costa da região Sudeste, embora com impacto reduzido.
Paralelamente, um grande sistema de alta pressão atmosférica deve se fortalecer sobre o interior do Brasil, contribuindo para o tempo seco e dificultando a formação de nuvens. Com mais horas de sol e a pouca influência de ar frio de origem polar, as temperaturas tendem a subir de forma significativa. Em contrapartida, a umidade do ar deve se concentrar sobre o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraguai e norte da Argentina, favorecendo a formação de áreas de chuva nessas regiões.