O tão esperado assassinato de Odete Roitman (Deborah Bloch) em “Vale Tudo” acabou se revelando uma experiência aquém das nossas expectativas: uma cena desprovida de criatividade, burocrática e sem qualquer carga emocional.
A tentativa excessiva de detalhar as movimentações dos principais suspeitos antes do crime falhou em criar a atmosfera de tensão que se esperava. Em vez de intensificar o suspense, a sequência de ações envolvendo César (Cauã Reymond), Celina (Malu Galli), Marco Aurélio (Alexandre Nero), Maria de Fátima (Bella Campos) e Heleninha (Paolla Oliveira) resultou em uma narrativa repetitiva, transformando um episódio que tinha tudo para ser eletrizante em um momento de grande monotonia, quase levando o público ao tédio.
Embora a novela seja marcada pela repetição, foi completamente desnecessário ocupar quase todo o tempo do capítulo de segunda-feira com explicações tão didáticas sobre as razões que levaram César, Celina, Marco Aurélio, Maria de Fátima e Heleninha a desejarem a morte de Odete Roitman. O público já estava plenamente consciente das motivações de cada um. A sensação que ficou foi de que a novela estava apenas “enchendo linguiça”.
Entre tantas informações repetitivas, os deslizes que chamaram mais atenção não foram os buracos deixados pelas balas no corpo de Odete, mas sim as incoerências no enredo, como a revelação de Olavo (Ricardo Teodoro) de que era um atirador de elite e como Maria de Fátima conseguiu uma aula particular de tiro com a mesma facilidade de quem contrata um personal trainer.
Apesar de todos esses deslizes, dados preliminares do Ibope indicam que “Vale Tudo” alcançou recordes de audiência em várias capitais brasileiras com a morte de Odete Roitman. Resta saber se o público se sentirá motivado a continuar assistindo para descobrir a identidade do assassino da vilã após ter enfrentado um episódio tão morno.