A nova temporada da antologia “Monstro”, criada pela dupla Ryan Murphy e Ian Brennan, estreou hoje na Netflix, desta vez trazendo a história de Ed Gein, conhecido como o “pai dos assassinos em série”, interpretado pelo renomado Charlie Hunnam, famoso por seu papel em “Sons of Anarchy”. Anteriormente, a plataforma já havia lançado “Dahmer: Um Canibal Americano” e “Monstros: Irmãos Menendez: Assassinos dos Pais”.
Nos anos 50, Gein aterrorizou o interior de Wisconsin, nos Estados Unidos, ao assassinar e mutilar diversas mulheres. Seus crimes influenciaram a criação de ícones do cinema de terror, como “O Silêncio dos Inocentes”, “Psicose” e “O Massacre da Serra Elétrica”. Embora sua figura seja uma das mais impactantes do século XX, muitos ainda não o conhecem. Sua presença foi um fator que influenciou diversos assassinos em série notórios, como Ted Bundy, um aspecto que muitas vezes passa despercebido.
Quando Ryan Murphy convidou Hunnam para o papel de Gein, o ator ficou surpreso. Em conversa com a Netflix, Hunnam recordou que Murphy mencionou estar em um “turbilhão criativo” ao desenvolver a série sobre Ed Gein. O ator ficou entusiasmado com a proposta e expressou seu desejo de ver a série, recebendo a resposta direta do criador: “Então, quer interpretá-lo?”.
Murphy compartilhou a curiosa razão pela qual escolheu Hunnam para o papel. “Vi uma foto dele tirada por paparazzi e pensei: ‘Ele parece assombrado’. Havia algo profundamente conectado a Ed Gein naquela imagem,” contou. Hunnam, por sua vez, brincou: “Deve ter sido um dia ruim”.
Interpretar um personagem como Gein representa um grande desafio. “Essa narrativa ressoa através das gerações,” disse Brennan. “Foi quando tudo se encaixou.” Em sua pesquisa para o papel, Hunnam considerou o material disponível sobre Gein “fraco”. “Li todos os livros sobre Ed Gein, mas a maioria era sensacionalista e mal escrita,” confessou. Diante disso, ele buscou fontes primárias. “Consegui acessar a única gravação conhecida de Ed Gein feita dois dias após sua prisão, uma entrevista de cerca de 70 minutos. Dessa gravação, consegui entender sua musicalidade vocal, inflexões e padrões de energia.”
Hunnam tinha como objetivo captar a essência de Ed, respeitando sua complexidade e trazendo autenticidade à narrativa. A dinâmica entre Ed e sua mãe, interpretada por Laurie Metcalf, é um aspecto central da história. Para desenvolver essa relação, Hunnam procurou estabelecer uma conexão com a atriz. “Durante a leitura dos roteiros, conversamos frequentemente ao telefone, analisando o material. Essas conversas resultaram em uma colaboração intensa e enriquecedora,” explicou o ator. “Foi uma experiência valiosa — aprendi muito com ela e valorizo essa parceria.”
Para Hunnam, a produção visa ser uma investigação profunda sobre o assassino. “Quero que seja uma representação verdadeiramente humana e sensível, mas ao mesmo tempo implacável sobre quem Ed Gein era e o que fez. O foco deve estar em ‘quem ele foi’, e não apenas em ‘o que ele fez’,” concluiu.