O pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro foi homenageado, em 27 de outubro, com o título de Doutor Honoris Causa concedido pela Universidade Nacional de Córdoba (UNC), na Argentina. A honraria reconhece a carreira acadêmica e científica do especialista, sua contribuição para os estudos sobre malária e outras doenças tropicais e sua atuação em defesa da saúde pública.
A entrega ocorreu na sede da universidade, uma instituição criada em 1613 pelos jesuítas. A UNC é considerada a universidade mais antiga da Argentina e a quarta mais antiga das Américas. A trajetória histórica da instituição conferiu significado adicional à homenagem prestada ao cientista brasileiro.
Com atuação reconhecida internacionalmente, Daniel-Ribeiro construiu sua carreira principalmente nas áreas de malária e doenças tropicais. O pesquisador é especialista em Medicina Tropical e tem doutorado em Biologia Humana pela Universidade Pierre et Marie Curie, na França, instituição atualmente identificada como Paris VI.
Na Fiocruz, ele dirige o Laboratório de Pesquisa em Malária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), unidade criada sob sua liderança em 1991. O trabalho desenvolvido ao longo dos anos reúne investigação científica, formação de profissionais e produção de conhecimento sobre doenças tropicais, além de manter relação direta com questões de saúde pública.
O pesquisador também integra as academias nacionais de Medicina do Brasil e da França. O reconhecimento concedido pela Universidade Nacional de Córdoba soma-se ao título de Doutor Honoris Causa que ele já havia recebido da Universidade Nova de Lisboa, em Portugal.
Discurso reforçou parceria científica entre os dois países
Durante o pronunciamento de agradecimento, Cláudio Daniel-Ribeiro afirmou que a homenagem ultrapassa o reconhecimento individual por sua produção acadêmica e científica. Para ele, o título também representa os vínculos de amizade e cooperação construídos, ao longo de décadas, entre pesquisadores brasileiros e argentinos.
O cientista destacou a necessidade de aproximar ainda mais as instituições dos dois países e ampliar as possibilidades de intercâmbio. Na avaliação apresentada por ele, a cooperação deve incluir a mobilidade de estudantes e professores, permitindo a troca de experiências e contribuindo para o avanço da ciência e da saúde pública no Brasil e na Argentina.
Ribeiro declarou esperar o fortalecimento dos laços entre as instituições e disse que pretende retornar à Argentina, assim como receber representantes argentinos no Rio de Janeiro. Também mencionou o desejo de enviar estudantes e professores para que tenham experiências semelhantes, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento científico e para a saúde pública dos dois países.
Homenageado destaca contribuição de equipes e estudantes
Ao falar sobre a própria trajetória, o pesquisador dividiu o reconhecimento com os colaboradores, estudantes e profissionais que participaram de sua carreira. Entre os grupos destacados está a equipe do Laboratório de Pesquisa em Malária do IOC/Fiocruz, criado em 1991 sob sua liderança.
Segundo Daniel-Ribeiro, uma homenagem reconhece um percurso profissional, mas nenhuma trajetória científica é construída de forma individual. A declaração ressaltou a dimensão coletiva da pesquisa e o papel das parcerias mantidas durante sua atuação no Brasil e no exterior.
O cientista citou nominalmente Fátima Cruz, Leonardo Carvalho, Lilian Riccio, Flávia Gomes, Paulo Totino e Cláudia Castro. Algumas dessas colaborações profissionais, conforme relatado por ele, chegam a 40 anos.
Ribeiro também enfatizou a participação da equipe na realização dos estudos e na formação de novos profissionais. Os estudantes foram descritos como companheiros essenciais em sua caminhada e como uma das principais fontes de inspiração de sua vida profissional.
Depois da cerimônia e do discurso, o pesquisador apresentou resultados de alguns de seus projetos. Os trabalhos foram associados à contribuição contínua para o desenvolvimento da ciência no Brasil e no cenário internacional.