Os títulos públicos dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, estão passando por um momento de alta histórica em seus rendimentos, o que pode representar uma oportunidade atrativa para investidores brasileiros interessados em diversificação e segurança. O rendimento do Treasury de 10 anos ultrapassou a marca de 5% ao ano, enquanto o de 30 anos atingiu seu nível máximo em 24 anos, chegando a 5,7%, e atualmente opera em torno de 5,4%.
Segundo Marília Fontes, apresentadora do programa Resenha do Dinheiro, essa elevação nos rendimentos dos Treasuries torna esses títulos mais atrativos para o investidor brasileiro, especialmente porque os patamares atuais não eram vistos há décadas. Ela explica que, para os brasileiros, obter um rendimento em dólar tão alto no mercado de títulos internacionais é uma tarefa difícil, já que, tradicionalmente, seria necessário recorrer a títulos de empresas mais arriscadas, como os corporate bonds, que oferecem taxas em torno de 3,5% ao ano.
Além disso, Fontes destaca que, para quem deseja obter rendimentos elevados investindo nos Estados Unidos a partir do Brasil, é preciso assumir maiores riscos. Entretanto, ela observa que o acesso a esses ativos estrangeiros tem se tornado mais fácil nos últimos anos, especialmente por meio de investimentos em ETFs, na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) ou por meio de contas internacionais digitais.
Thiago Godoy, educador financeiro conhecido como “Papai Financeiro”, reforça essa visão ao afirmar que, no passado, investir em ativos estrangeiros era mais difícil para os brasileiros. Atualmente, entretanto, o acesso a esses investimentos está mais simplificado, facilitando a entrada de investidores brasileiros no mercado internacional.
Para Bernardo Pascowitch, fundador e CEO da plataforma Yubb, os títulos públicos americanos ainda são pouco procurados pelos brasileiros, embora representem uma alternativa sólida de investimento. Ele recomenda que quem aprecia o Tesouro Direto, que consiste em emprestar dinheiro ao governo brasileiro, considere fazer o mesmo com a economia mais forte do mundo, os Estados Unidos. Pascowitch ressalta a relevância de diversificar em ativos de mercados considerados mais robustos e seguros.
O movimento de alta nos rendimentos dos Treasuries ocorre em um contexto de incerteza econômica global. Geralmente, em períodos de instabilidade, os investidores buscam títulos públicos por oferecerem maior segurança e menor volatilidade. Contudo, o comportamento atual dos investidores americanos difere dessa tendência. Eles estão vendendo seus títulos, o que aumenta a demanda por taxas mais altas nos leilões do Tesouro dos EUA. A inflação elevada no país tem impulsionado essa mudança, levando os investidores a exigir retornos mais elevados para compensar os riscos adicionais.
Historicamente, o rendimento do Treasury de 10 anos oscilou entre 2% e 3% nas últimas décadas, patamar considerado pouco atrativo atualmente. Com a alta nos juros, esse cenário se altera, tornando os títulos mais interessantes para investidores que buscam segurança e rentabilidade em um momento de maior volatilidade global.
O programa Resenha do Dinheiro, apresentado por Marília Fontes, Bernardo Pascowitch e Thiago Godoy, aborda semanalmente temas relacionados à educação financeira e investimentos, com uma abordagem leve, direta e descomplicada. Transmitido às sextas-feiras no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos na CNN Brasil, o programa busca oferecer análises claras e acessíveis sobre os principais temas econômicos do momento.