As ações da Meta Platforms registraram uma queda superior a 5% nesta quinta-feira, refletindo uma mudança de percepção por parte do mercado diante dos investimentos crescentes da companhia na área de inteligência artificial (IA). Apesar de a empresa ter divulgado, na véspera, um desempenho financeiro trimestral acima das expectativas e uma previsão de vendas para o quarto trimestre que superou as estimativas de Wall Street, os investidores demonstraram preocupação com os custos associados à expansão de seus projetos de IA, especialmente o desenvolvimento de agentes virtuais como o Muse.
Até o encerramento de quarta-feira, as ações da Meta acumulavam uma valorização superior a 5% no ano, o que torna a recente queda uma reversão significativa na trajetória de valorização da companhia. Se essa tendência de baixa for mantida, a Meta poderá perder cerca de US$ 85 bilhões em valor de mercado, impactando uma das maiores empresas de tecnologia do mundo.
A reação negativa do mercado ocorreu em um momento delicado para a Meta, que também enfrenta um processo judicial no Novo México. Na quarta-feira, um juiz determinou que a empresa pague uma multa de US$ 5 bilhões devido a uma ação relacionada à privacidade de dados envolvendo o escândalo da Cambridge Analytica. A Meta anunciou que pretende recorrer da decisão, mas a penalidade reforça o clima de incerteza ao redor da companhia.
No âmbito financeiro, a Meta revelou um fluxo de caixa livre negativo de US$ 2,12 bilhões no terceiro trimestre, uma reversão em relação ao fluxo de caixa positivo registrado no mesmo período do ano anterior. A controladora do Instagram também revelou um plano de investimentos pesados na área de IA, com previsão de gastos anuais entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões, valor que evidencia a prioridade da empresa em consolidar sua infraestrutura tecnológica para sustentar seus projetos de inteligência artificial.
Segundo o analista Benjamin Black, do Deutsche Bank, os investimentos em IA têm contribuído para melhorias no desempenho publicitário e maior engajamento dos usuários, o que, por sua vez, tem criado uma perspectiva mais positiva para as ações da Meta. Ele destaca que a infraestrutura computacional, antes vista como um centro de custos, passa a ser encarada como um ativo gerador de receita, refletindo uma mudança de paradigma na avaliação do mercado.
Além disso, a Meta anunciou planos para criar uma nova classe de ações, a Classe C, sem direito a voto. Essa estratégia visa oferecer maior flexibilidade para aquisições e remuneração de funcionários, ao mesmo tempo em que mantém o controle decisório nas mãos do CEO Mark Zuckerberg. A adoção dessa estrutura acionária foi bem recebida por pelo menos 13 corretoras, que elevaram suas recomendações de preço-alvo para as ações da companhia após os resultados trimestrais.
Por fim, as preocupações com o elevado volume de investimentos da Meta em IA também tiveram repercussões no mercado de crédito, onde o custo para segurar a dívida da empresa atingiu níveis recordes. Essa elevação reflete o aumento do risco percebido pelos investidores e credores, diante do grande volume de recursos destinados ao desenvolvimento de tecnologias avançadas.