O CEO da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, declarou na terça-feira, 21 de novembro, que a fusão entre suas duas empresas poderia ser considerada uma “boa ideia”, sinalizando uma potencial união que, segundo ele, está sendo avaliada por comitês especializados de ambas as organizações. A afirmação resultou em uma alta de aproximadamente 8% nas ações das empresas durante as negociações de planejamento estratégico, refletindo o otimismo do mercado diante da possibilidade de uma integração entre as companhias.
Musk revelou que as empresas instauraram comitês especiais, compostos por conselheiros independentes, para discutir formalmente a viabilidade de uma fusão. Ele destacou, no entanto, que, por possuir interesses conflitantes, não participa diretamente dessas discussões, que foram iniciadas a pedido dos acionistas e ainda dependem de aprovação final. O executivo também comentou que, embora a ideia seja considerada, não há garantias de que um acordo será concretizado, uma vez que os comitês ainda não chegaram a um entendimento sobre os termos do possível negócio.
A especulação sobre uma eventual aquisição da Tesla pela SpaceX ganhou força recentemente, com análises de mercado indicando que um acordo poderia ser anunciado antes da assembleia anual de acionistas da Tesla, prevista para dezembro. Investidores e analistas apontam que essa união poderia consolidar o controle de Musk sobre a entidade resultante, dado que ele detém aproximadamente 20% das ações da Tesla e quase metade das ações da SpaceX.
Além do potencial de fusão, Musk comentou sobre avanços em uma joint venture de fabricação de chips entre as duas empresas, denominada Terafab. Prevista para produzir seu primeiro chip de teste entre maio e junho de 2024, a iniciativa visa alcançar produção em larga escala até o terceiro trimestre de 2028, com o objetivo de fortalecer a capacidade de processamento de dados, especialmente em aplicações de inteligência artificial (IA).
Durante uma teleconferência, Musk também ressaltou que, embora a fusão seja uma possibilidade, ainda não há consenso entre os comitês sobre os detalhes do acordo. Ele observou que, por sua posição de conflito de interesses, não pode participar das deliberações, que estão sendo conduzidas por conselheiros independentes nomeados pelos acionistas. A avaliação do negócio também envolve a análise de uma potencial aquisição da Tesla pela SpaceX, uma hipótese que vem sendo discutida nos bastidores, com uma fonte anônima afirmando que uma negociação desse tipo poderia ocorrer antes do final do ano.
No último trimestre, a SpaceX reportou um crescimento expressivo de 161% na receita, atingindo US$ 14,58 bilhões, impulsionada principalmente pelo aumento na demanda por seus serviços de inteligência artificial e pelo aluguel de capacidade de data centers para grandes nomes do setor, como Alphabet, Google e Reflection AI. Especificamente, a receita proveniente de IA cresceu quase dez vezes, chegando a US$ 7,56 bilhões, embora a maior parte dessa receita seja decorrente do aluguel de capacidade de data centers, e não de seus próprios modelos de inteligência artificial.
Apesar do forte crescimento na receita de IA, os gastos de capital da SpaceX também aumentaram consideravelmente, quase triplicando para US$ 19,6 bilhões, refletindo os investimentos em infraestrutura de computação. Essa mudança na estratégia financeira demonstra uma transformação na estrutura de negócios da SpaceX, que, tradicionalmente, depende do sucesso do serviço de internet via satélites Starlink e do desenvolvimento de foguetes como o Starship. No momento, a companhia se assemelha a uma provedora de serviços de nuvem, com forte foco na expansão de suas operações de IA.
O movimento de Musk ocorre em um contexto de expectativa de que uma fusão ou aquisição possa consolidar ainda mais o império de sua influência no setor de tecnologia e exploração espacial, ao mesmo tempo em que busca maximizar o potencial de crescimento de suas empresas diante do acelerado avanço da inteligência artificial e da demanda por serviços de computação em nuvem.