A companhia aérea brasileira Azul prevê que sua retomada econômica será mais gradual do que inicialmente estimado, mantendo uma postura de crescimento cauteloso diante do cenário atual. A declaração foi feita pelo diretor financeiro da empresa, Antonio Carlos Garcia, em entrevista à Reuters, durante uma conferência organizada pela Associação de Transporte Aéreo da América Latina e do Caribe. Segundo Garcia, os elevados custos do combustível de aviação continuam exercendo forte pressão sobre as margens de lucro da Azul, mesmo após a companhia ter saído do processo de recuperação judicial sob o capítulo 11 no início deste ano.
A Azul mantém a expectativa de encerrar o ano de 2026 com uma capacidade operacional aproximadamente 5% inferior à de 2025, uma estratégia que já vinha sendo adotada antes do aumento recente nos preços do petróleo. Essa redução reflete uma postura de contenção de custos e uma tentativa de ajuste às condições de mercado, mesmo diante de sinais de recuperação econômica no setor aéreo.
Garcia destacou que a recuperação do setor aéreo está ocorrendo de forma mais lenta do que o previsto inicialmente, alertando que o cronograma de crescimento pode ser atrasado em um ano ou mais, caso os preços do combustível permaneçam elevados por um período prolongado. A alta nos custos do combustível de aviação levou a Azul a reduzir sua capacidade em mais de 10% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, uma medida de contenção adotada para equilibrar as finanças diante do impacto dos preços elevados.
Apesar dessas dificuldades, a companhia projeta retomar um crescimento modesto a partir do quarto trimestre de 2023, com a reativação de algumas frequências e a reintrodução de aeronaves que estavam fora de operação. Garcia ressaltou, no entanto, que essas ações não devem ser interpretadas como uma estratégia de expansão agressiva, mas sim como uma tentativa de restabelecer operações de forma gradual e sustentável.
No aspecto financeiro, a Azul conseguiu repassar entre 60% e 65% do aumento nos custos do combustível para os clientes por meio de tarifas, o que contribui para a manutenção de sua margem operacional. Após reestruturar seu balanço patrimonial, a companhia saiu do capítulo 11 em fevereiro deste ano e, em agosto, anunciou que sua dívida total havia sido reduzida para R$ 21,4 bilhões.
Garcia afirmou que a Azul caminha para alcançar um fluxo de caixa livre operacional positivo, embora a geração de caixa ainda seja afetada por pagamentos relacionados à reestruturação financeira, tanto anteriores quanto posteriores ao processo de recuperação judicial. Além disso, a companhia vem ampliando sua atuação em setores além do transporte de passageiros, incluindo programas de fidelidade, serviços de viagem, operações de carga e manutenção, buscando diversificar suas fontes de receita e fortalecer sua posição no mercado.
Sobre a possibilidade de fusões ou aquisições na aviação latino-americana, Garcia afirmou que a Azul está focada em reestruturar seus próprios negócios, sem avaliar atualmente propostas de consolidação. Vale lembrar que, no ano passado, a controladora da Gol, uma das principais concorrentes da Azul, abandonou negociações de fusão, embora tenha deixado aberta a possibilidade de retomar as discussões futuramente.