O contrato futuro do ouro registrou uma valorização nesta quinta-feira (15), interrompendo uma sequência de quedas recentes, enquanto investidores avaliam a possibilidade de o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manter as taxas de juros inalteradas na próxima reunião de política monetária. A expectativa de estabilidade na política de juros foi reforçada após a divulgação de dados de inflação que indicaram uma leitura acima do esperado para o Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) de setembro, alimentando a especulação de que o Fed possa optar por um aperto monetário em dezembro.
Na divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), a Comex, o ouro para entrega em dezembro fechou em alta de 1,51%, cotado a US$ 4.170,10 por onça-troy. A prata, também negociada para o mesmo mês, avançou 2,28%, atingindo US$ 57,156 por onça-troy. Esses movimentos refletem uma dinâmica de mercado em que o ouro, tradicionalmente considerado um ativo de refúgio, se beneficia de cenários de taxas de juros mais baixas, pois não oferece rendimento de juros, tornando-se mais atrativo em ambientes de política monetária restritiva ou de expectativa de manutenção dos juros.
A análise da Capital Economics destaca que os números inflacionários pressionam o Federal Reserve a considerar uma elevação dos juros, reforçando a volatilidade no mercado de metais preciosos. A ferramenta de monitoramento do CME Group, que acompanha as apostas do mercado em relação às decisões de política monetária, indicou uma ligeira aceleração na expectativa de um aperto monetário em outubro após a divulgação do PPI. No entanto, na parte da tarde, essa previsão recuou, com o cenário de manutenção dos juros na reunião de outubro ganhando força e sendo considerado o mais provável, com uma probabilidade de 70,7%.
Além das expectativas sobre as taxas de juros, o mercado de ouro recebeu suporte adicional com a queda nos rendimentos dos títulos públicos americanos, que tendem a diminuir quando os juros permanecem estáveis ou caem. Essa relação ocorre porque títulos de renda fixa oferecem rendimento fixo, tornando-se menos atrativos em ambientes de juros mais altos, enquanto o ouro se torna mais desejável. Paralelamente, o dólar também recuou frente a suas principais moedas, em meio a uma venda significativa de ações do setor de tecnologia e de empresas ligadas à inteligência artificial (IA). Essa movimentação elevou a demanda por títulos públicos, reforçando o cenário de incerteza e de busca por ativos considerados seguros.
Segundo análises da Infinox, a demanda por parte de fundos negociados em bolsa (ETFs) e de bancos centrais pode atuar como um amortecedor para o ouro, especialmente se as condições monetárias permanecerem restritivas. Caso os rendimentos dos títulos continuem a cair, essa demanda pode potencializar uma eventual recuperação do metal precioso.
Em síntese, o mercado de metais preciosos permanece atento às próximas decisões do Fed e aos indicadores econômicos, com o ouro encerrando a sessão em alta diante das expectativas de estabilidade nas taxas de juros e do impacto de dados inflacionários que reforçam o cenário de cautela na política monetária dos Estados Unidos.
Com informações da Dow Jones Newswires.