As taxas de juros futuras no mercado financeiro brasileiro fecharam a sessão desta terça-feira (29) em queda, acompanhando a redução dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) ao longo do dia, após declarações de representantes do Federal Reserve (Fed) que sinalizaram uma postura mais cautelosa em relação ao aumento de juros. Além do cenário externo, o ambiente político brasileiro também influenciou os negócios, com destaque para uma nova pesquisa eleitoral que mostra Flávio Bolsonaro e Lula tecnicamente empatados no segundo turno presidencial.
Durante a tarde, as taxas do Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2028 recuaram para 13,57%, uma redução de 9 pontos-base em relação ao fechamento anterior, que foi de 13,664%. Na ponta longa da curva de juros, o DI para janeiro de 2035 registrou 14%, uma queda de 4 pontos-base, após marcar 14,04% na sessão anterior. Essas movimentações refletem a forte correção nas expectativas de juros futuros, influenciadas pelo comportamento dos títulos do Tesouro dos EUA, que tiveram seus rendimentos elevados ao longo do dia devido às preocupações com a inflação nos Estados Unidos.
Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos, que atingiram 5,29% — o maior nível em décadas —, impulsionaram a curva de juros brasileira no início da tarde. No entanto, esse movimento foi amenizado após as declarações de autoridades do Federal Reserve, especialmente do presidente do Fed de Nova York, John Williams. Em discurso preparado para uma palestra na Universidade de Buffalo, Williams afirmou que o banco central dos EUA possui tempo suficiente para analisar os dados econômicos antes de decidir sobre novos aumentos na taxa de juros, o que sugeriu uma postura mais cautelosa por parte do Fed.
Como consequência dessas declarações, as taxas dos títulos norte-americanos de dois anos despencaram, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 10 anos recuaram da máxima do dia. No Brasil, a taxa do DI para janeiro de 2035, que atingiu sua máxima de 14,110% às 12h51, caiu para 13,98% às 15h42, após os comentários de Williams, uma redução de 6 pontos-base na parte final da sessão.
O cenário político brasileiro também foi destaque na agenda de investidores, com uma pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada pela manhã indicando que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) possui 47,7% das intenções de voto no segundo turno, contra 47,6% do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, a disputa permanece tecnicamente empatada. Na pesquisa anterior, Flávio tinha 47,4%, enquanto Lula somava 47,7%. Tal resultado alimenta a expectativa de uma disputa acirrada e influencia o mercado, que ainda mantém certa desconfiança em relação à reeleição de Lula devido às preocupações com o controle das contas públicas e a inflação.
No âmbito dos indicadores econômicos, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego no país ficou em 5,3% nos três meses até agosto, alinhada às projeções de economistas ouvidos pela Reuters. Além disso, o Ministério do Trabalho e Emprego divulgou que foram abertas 165.827 vagas formais de trabalho em agosto, bem acima da expectativa de 97.826 postos. Ainda, o Tesouro Nacional reportou um déficit primário de R$ 13,585 bilhões no mês, resultado melhor do que o déficit de R$ 15,540 bilhões registrado em agosto do ano anterior e inferior à previsão de R$ 14,4 bilhões.
Esses dados contribuem para o cenário de incerteza quanto ao próximo movimento do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que se reunirá no início de novembro para definir o novo patamar da taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano. Ao longo do dia, o rendimento do Treasury de dois anos, que indica as apostas para as taxas de juros de curto prazo, caiu 3 pontos-base, para 4,895%, enquanto o retorno do título de 10 anos subiu 2 pontos-base, atingindo 5,259%, refletindo a cautela do mercado diante do cenário econômico e político.