Nesta terça-feira, 29 de outubro, o preço do Bitcoin apresentou uma nova queda no mercado de criptomoedas, refletindo a cautela dos investidores diante do aumento das taxas de juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) e das incertezas macroeconômicas e geopolíticas que permeiam o cenário global. Sem sinais de catalisadores que possam impulsionar uma recuperação, as cotações do ativo digital continuam limitadas, evidenciando um momento de maior prudência no mercado.
Por volta das 16 horas (horário de Brasília), o Bitcoin operava com uma baixa de aproximadamente 0,48%, cotado a US$ 83.628,00, conforme dados da plataforma Binance. Nesse mesmo período, o Ethereum, segunda maior criptomoeda em valor de mercado, registrava uma leve queda de 0,20%, sendo negociado a US$ 2.693,96. Esses movimentos refletem a tendência de retração observada na maior parte do mercado de criptoativos, diante de fatores externos que influenciam o apetite por risco dos investidores.
Um dos principais fatores que contribuíram para o recuo do Bitcoin foi a rejeição, feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à proposta do Irã de um cessar-fogo de sete dias. Essa postura elevou as preocupações relacionadas à inflação global, o que, por sua vez, torna o cenário de taxas de juros mais desfavorável ao ativo digital. Segundo Naeem Aslam, analista da Zaye Capital Markets, as declarações de Trump aumentam a volatilidade do mercado, uma vez que o conflito geopolítico ainda apresenta possibilidades de evolução rápida, podendo impactar significativamente o risco associado ao Bitcoin.
Além disso, o cenário macroeconômico se tornou ainda mais restritivo desde o início deste mês, quando o Federal Reserve (banco central dos EUA) anunciou o aumento das taxas de juros. Apesar de o mercado de criptomoedas ter se descolado temporariamente dessa tendência de alta nas taxas, analistas alertam que fatores como restrições na oferta de combustíveis, que pressionam os preços de bens essenciais, continuam a influenciar o ambiente econômico global, dificultando uma recuperação sustentada no mercado de ativos digitais.
No que diz respeito às perspectivas de valorização, especialistas destacam que o Bitcoin precisaria de uma demanda robusta no mercado à vista para ultrapassar a marca de US$ 87.000. Até o momento, esse nível não apresenta sinais de ser atingido sem um impulso significativo na demanda real, ou seja, na compra direta do ativo por investidores institucionais ou varejistas. Analistas da Bitfinex reforçam que qualquer avanço relevante na cotação dependerá de um aumento na demanda de mercado à vista, que ainda não se concretizou.
Por sua vez, Pedro Fontes, analista de research do Mercado Bitcoin, observou que, após uma semana de entradas expressivas de recursos — que totalizaram cerca de US$ 2,39 bilhões na ocasião —, os fluxos de entrada de fundos em ETFs de Bitcoin começaram a desacelerar nesta semana. Segundo ele, na sessão atual, foram registrados aproximadamente US$ 31 milhões em entradas líquidas, indicando uma redução no ritmo de ingresso de recursos no mercado. Fontes aponta que, embora o resultado ainda seja positivo, a desaceleração pode sinalizar uma normalização após um período de forte demanda ou o início de uma possível perda de força na demanda institucional. Ainda assim, ele destaca a importância de monitorar esses movimentos para entender se o mercado está passando por uma fase de ajuste ou se há sinais de esgotamento no interesse dos investidores institucionais pelo ativo digital.
Esses fatores conjunturais demonstram que o mercado de criptomoedas permanece sensível às condições macroeconômicas e geopolíticas, com o risco de volatilidade elevada até que haja sinais mais claros de estabilidade ou de uma mudança na demanda por ativos digitais.