Nesta segunda-feira (21), o iene japonês apresentou uma nova queda, encerrando a sessão com uma desvalorização de 0,38% em relação ao dólar americano, cotado a 157,48. Este foi o quinto recuo do iene em seis sessões consecutivas, em um movimento que tem sido acompanhado de perto pelos investidores, que demonstram preocupação com a possibilidade de intervenção cambial por parte do Banco do Japão (BOJ). A atenção do mercado se intensificou devido ao fechamento dos mercados japoneses, decorrente de um feriado prolongado de três dias, o que reduz a liquidez e potencializa oscilações de maior magnitude.
A recente movimentação do iene ocorre após o Banco do Japão anunciar na sexta-feira passada o aumento das taxas de juros para o nível mais alto em três décadas, atingindo 1,25%. Apesar da elevação, a decisão contou com dois votos contrários e uma orientação que não foi explicitamente mais agressiva, fatores que deixaram os investidores cautelosos na hora de adquirir a moeda japonesa. Logo após o anúncio, o iene sofreu uma queda acentuada, mas posteriormente apresentou uma leve recuperação após o jornal Nikkei divulgar que autoridades japonesas teriam realizado verificações na taxa de câmbio, uma prática frequentemente interpretada como um sinal de preparação para intervenção no mercado cambial.
Segundo Marc Chandler, estrategista-chefe de mercado da Bannockburn Capital Markets, com os mercados japoneses fechados, há uma expectativa de que a intervenção possa ocorrer, especialmente considerando episódios anteriores ocorridos no final de abril e início de maio, quando o país também esteve de feriado e houve movimentos similares. Chandler afirma, no entanto, que uma intervenção em torno de 157 ou 157,5 não parece muito provável neste momento, embora reconheça que o nervosismo no mercado seja evidente. Ele destacou que o dólar, apoiado pelo aumento das taxas de juros nos Estados Unidos e pela alta do petróleo, mantém uma trajetória de valorização, especialmente enquanto os EUA continuam sendo considerados uma das opções menos arriscadas na disputa por capitais internacionais.
A política monetária dos Estados Unidos também tem influenciado o cenário cambial. O Federal Reserve (Fed) e o Banco Central Europeu elevaram suas taxas de juros neste mês, com ambos alertando para a necessidade de um aperto monetário adicional para conter a inflação, que permanece pressionada por fatores como a guerra no Oriente Médio, que já dura quase sete meses. O índice do dólar (USD), que mede o valor da moeda americana frente a uma cesta de moedas incluindo o iene e o euro, avançou 0,13%, chegando a 100,40 pontos, após uma semana de alta de 1,1%, seu maior ganho semanal desde junho.
Dados do CME FedWatch indicam que há uma probabilidade de 55,4% de que o Federal Reserve aumente a taxa de juros em pelo menos 25 pontos-base na reunião de outubro, uma elevação que representa um aumento em relação aos 43,5% registrados na semana anterior. Na mesma linha, destacados membros do Fed, como Austan Goolsbee, presidente do Fed de Chicago, e Alberto Musalem, presidente do Fed de St. Louis, reforçaram a perspectiva de que uma política de juros mais agressiva pode ser necessária para conter a inflação, que, segundo Goolsbee, agora estaria sendo impulsionada por uma demanda forte, além de choques nos preços das commodities, que se estenderam além do petróleo.
No cenário europeu, o euro (EUR) registrou uma queda de 0,14%, fechando a US$ 1,1467, após o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistar o primeiro lugar nas eleições estaduais do nordeste do país no domingo. A derrota do partido conservador do chanceler Friedrich Merz representou a pior derrota eleitoral regional do pós-guerra na Alemanha, deixando sua coalizão de governo mais fragilizada. A libra esterlina (GBP) também sofreu uma pequena desvalorização de 0,18%, encerrando a US$ 1,3369.
O movimento de fortalecimento do iene no início de setembro, que levou a moeda japonesa a atingir seu nível mais forte em sete meses, abaixo de 153, foi revertido nas últimas semanas. Na ocasião, investidores anteciparam uma aceleração nos aumentos das taxas de juros pelo BOJ e sinais de que capitais japoneses começavam a retornar ao país. Entretanto, o recuo atual reflete a cautela do mercado diante dos riscos de intervenção cambial.
Por fim, o dólar em relação ao yuan chinês negociado fora da China (CNH) recuou 0,03%, cotado a 6,693, antes da cúpula prevista para esta semana em Washington, onde o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, deverão discutir temas como inteligência artificial e protocolos de comunicação. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, confirmou que os altos funcionários americanos e chineses se reunirão novamente em aproximadamente dois meses, em Shenzhen, na China, reforçando a expectativa de que as relações econômicas e de segurança entre as duas maiores economias do mundo permanecem em foco no cenário internacional.