As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam a quinta-feira (17) em queda, após uma sessão marcada por movimentos de mercado influenciados por eventos políticos e econômicos. Durante o dia, a divulgação de uma nova pesquisa eleitoral, que aponta o fortalecimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela presidência, contribuiu para a volatilidade dos rendimentos, embora os efeitos tenham sido parcialmente revertidos ao longo da tarde.
Na manhã, o mercado reagiu negativamente ao anúncio do governo de reajustar o Bolsa Família, elevando o custo do benefício em aproximadamente 15%. A medida, que passa a valer a partir de outubro, aumentará o piso do programa de R$ 600 para R$ 691 por família, representando um custo estimado de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027. A reação inicial foi de forte alta nas taxas dos DIs, com o dólar também ganhando força frente ao real, em um movimento que refletiu preocupações com o impacto fiscal da medida.
Por volta das 11h28, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu 14,365%, um aumento de 12 pontos-base em relação ao fechamento anterior, após o anúncio. No entanto, após um período de instabilidade, o mercado passou a reverter a tendência, e na parte da tarde, as taxas voltaram a registrar quedas. Às 16h, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,61%, uma redução de 7 pontos-base em relação ao dia anterior, enquanto a do DI para 2035 caiu para 14,19%, uma baixa de 5 pontos-base.
A movimentação no mercado foi influenciada também por uma nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada no início do dia, que mostra o senador Flávio Bolsonaro com 47,2% das intenções de voto no segundo turno, contra 46,8% de Lula. Apesar de a margem de erro de 1 ponto percentual indicar um empate técnico, Flávio ampliou sua vantagem numérica em relação ao levantamento anterior, que indicava 46,4% para o senador e 46,2% para o atual presidente. Esses resultados reforçam a percepção de um fortalecimento da candidatura de Flávio, considerado favorito pelo setor financeiro e uma possível ameaça ao equilíbrio fiscal, devido à sua base de apoio na Faria Lima.
O impacto do cenário eleitoral também se refletiu na curva de juros, que chegou a registrar mínima de 14,105% às 9h17, acompanhando a tendência de queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e do petróleo, que também apresentavam recuos na manhã. Contudo, após o anúncio do reajuste do Bolsa Família, as taxas reagiram negativamente, atingindo picos mais elevados, em uma tentativa do mercado de precificar os riscos fiscais associados à medida.
Ao longo do dia, porém, a percepção de que o cenário político poderia mudar no horizonte e a redução nos rendimentos dos Treasuries contribuíram para a estabilização e posterior baixa das taxas futuras, que se firmaram em patamares mais baixos no final da tarde. A expectativa de alterações na política econômica brasileira, aliada às condições internacionais, ajudou a aliviar as pressões sobre os juros futuros.
No contexto externo, o mercado acompanhou a decisão do Federal Reserve de elevar a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 25 pontos-base, para o intervalo de 3,75% a 4,00%, além da queda nos preços do petróleo Brent, que encerrou o dia na faixa de US$ 104 por barril. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de dez anos, referência global para investimentos, recuaram 7 pontos-base, fechando em 4,937%, refletindo uma menor expectativa de aumento de juros nos Estados Unidos e contribuindo para a dinâmica do mercado doméstico.