O Kennedy Center, principal centro de artes cênicas dos Estados Unidos, encontra-se sob ameaça de colapso financeiro iminente, caso não reforce sua ligação com o ex-presidente Donald Trump. Segundo um relatório enviado ao conselho de curadores da instituição antes de uma reunião agendada para esta terça-feira, 15 de outubro, a organização pode enfrentar dificuldades graves para manter suas operações, incluindo o pagamento de salários e a continuidade de suas atividades, podendo até declarar falência em poucas semanas.
O documento, que contém duas resoluções específicas, aponta que o centro está à beira de uma crise financeira severa. Uma fonte com acesso ao relatório revelou que, sem a presença do nome de Trump na fachada do edifício, o Kennedy Center acredita que não conseguirá captar os recursos necessários para sua sustentação. Trump, por sua vez, teria se oferecido para ajudar na arrecadação de fundos, argumentando que sua associação ao centro atrairia doações. No entanto, o relatório sugere que, sem a presença do nome do ex-presidente na estrutura, essas captações seriam inviáveis, colocando a instituição em risco de insolvência.
A possibilidade de fechamento da instituição está sendo avaliada pelo conselho, que pode votar nesta terça-feira pelo encerramento das atividades, uma decisão que teria impacto imediato na cultura e na cena artística americana. A CNN entrou em contato tanto com o Kennedy Center quanto com a Casa Branca em busca de comentários, mas até o momento não houve confirmação oficial ou análise independente da minuta da resolução enviada ao conselho.
A controvérsia envolvendo o nome de Trump no Kennedy Center remonta a 2022, quando seu nome foi adicionado à fachada externa do edifício, gerando uma ação judicial contestando a legalidade dessa alteração. Uma decisão judicial determinou a remoção das letras, que foram retiradas em junho do mesmo ano. Em agosto, o conselho voltou a votar pela reinclusão do nome do ex-presidente, além de planejar uma reforma de vários anos no espaço, o que também foi contestado judicialmente. Recentemente, o conselho informou a um juiz federal que não tentaria reinstalar o nome de Trump antes de 8 de outubro, adiando o plano em um mês.
O processo judicial que impede a reinstalação do nome de Trump continua em andamento, com uma audiência de status marcada para esta terça-feira de manhã. Além das questões jurídicas, o centro argumenta que, se não puder realizar reformas estruturais, sua estrutura se deteriorará, tornando-se insegura e passível de demolição. Em setembro, uma seção do teto do edifício desabou parcialmente, sem feridos, o que foi utilizado como argumento para acelerar as reformas necessárias. Os advogados do Kennedy Center alertam que, sem intervenções, a deterioração pode tornar o prédio inabitável e inviabilizar sua preservação.
Desde a instalação de aliados de Trump no conselho do centro, a instituição passou por turbulências financeiras, mudanças na liderança e disputas judiciais, culminando na perda de apoio de artistas e na queda nas vendas de ingressos. Além de buscar manter sua integridade financeira, o Kennedy Center também enfrenta dificuldades com doações privadas, das quais depende significativamente. Documentos judiciais indicam que, caso o nome de Trump não permaneça na fachada, o centro teria que devolver milhões de dólares arrecadados, sob risco de perder recursos essenciais para sua manutenção.
Segundo fontes próximas à instituição, há cerca de dez maneiras diferentes de reincluir o nome de Trump na fachada do edifício, o que demonstra a complexidade da disputa. Paralelamente, o conselho também foi solicitado a fechar imediatamente o edifício principal, após incidentes como o desabamento de parte do teto, ocorrido em setembro. Os advogados argumentam que, sem reformas extensas, o prédio poderá deteriorar-se a ponto de precisar ser demolido, o que agravaria ainda mais a crise financeira e estrutural do centro.
Desde uma visita guiada realizada em abril, na qual foram mostrados bastidores, sistemas de climatização e áreas de suporte do edifício, o Kennedy Center tem buscado evidenciar a urgência de reformas estruturais. A disputa judicial, envolvendo questões financeiras, legais e políticas, permanece em aberto, e o futuro da instituição depende das decisões que serão tomadas ao longo desta semana, em meio ao cenário de crise que ameaça sua continuidade.