Mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), indicam uma negociação coordenada com o objetivo de viabilizar uma fraude financeira de aproximadamente R$ 17 bilhões, mediante troca de propina. As conversas, obtidas pela Polícia Federal (PF) e integradas aos autos do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), foram tornadas públicas nesta sexta-feira (11) após o relator do processo, ministro André Mendonça, autorizar o levantamento do sigilo, a pedido do presidente da corte, Edson Fachin.
Segundo as investigações, a operação fraudulenta envolveu o BRB adquirindo créditos considerados podres do Banco Master e tentando adquirir o próprio banco de Vorcaro. Paulo Henrique Costa é acusado de ter recebido uma propina avaliada em R$ 146 milhões, em imóveis, em troca de facilidades na operação. Ambos os envolvidos encontram-se presos.
Conforme apuração da PF, as trocas de mensagens revelam uma relação que ultrapassa a simples negociação de ativos financeiros entre os bancos. Em 2024, equipes do BRB identificaram irregularidades nas carteiras de crédito consignado cedidas pelo Banco Master. Vorcaro, então, solicitou ajuda para liquidar ativos em um único dia, alegando estar com um “furo” financeiro e sugerindo a venda de carteiras do INSS, apesar de algumas apresentarem inadimplência elevada, conforme apontaram os investigadores.
Durante as conversas, Paulo Henrique questionou a viabilidade de manter as taxas de originação das carteiras, que representam custos relacionados aos contratos. Vorcaro respondeu de forma afirmativa, indicando que encontraria uma solução para que o banco de Brasília aceitasse as condições, mesmo que isso implicasse em prejuízo para o Banco Master. Em troca, os dois discutiram a possibilidade de ajustar valores em futuras operações, de modo a compensar eventuais perdas de Vorcaro, sugerindo uma espécie de conluio para mascarar prejuízos atuais.
Em 31 de agosto de 2024, Vorcaro enviou uma mensagem reclamando de atrasos do BRB, ao que Paulo Henrique respondeu destacando o perfil de alto risco dos papéis envolvidos. Vorcaro, então, afirmou: “amigo, estamos juntos agora”, e acrescentou que enfrentariam dificuldades em conjunto. Paulo Henrique confirmou o vínculo de parceria, reforçando que ambos estavam envolvidos em projetos comuns, com a intenção de facilitar a aquisição do Banco Master pelo BRB.
Poucos dias antes do anúncio oficial da compra, em 11 de março de 2025, Vorcaro enviou mensagem a Paulo Henrique expressando interesse em permanecer no negócio, mesmo com dificuldades documentais. O ex-presidente do BRB afirmou que o processo dependia da regularização da documentação, reforçando que não haveria transações sem a devida formalização. A PF interpretou essa troca como indício de que negócios poderiam estar sendo conduzidos mesmo diante de falhas na documentação, com Vorcaro persuadindo Paulo Henrique a avançar com operações de risco.
Depois da aquisição, em 18 de abril de 2025, Vorcaro convidou Paulo Henrique a visitar o Banco Master em São Paulo, dizendo que ele poderia ir a qualquer momento, e afirmou que o banco “só dele”, reforçando a relação de parceria e controle. Paulo Henrique respondeu que o banco nunca deixaria de ser de Vorcaro, consolidando a impressão de uma relação de conluio que poderia facilitar futuras operações fraudulentas.
As mensagens revelam um padrão de cooperação estreita e de possíveis ações coordenadas entre Vorcaro e Paulo Henrique, com indícios de que ambos tinham interesse em manipular operações financeiras e documentais para beneficiar interesses comuns, em um esquema que, segundo a Polícia Federal, visava facilitar a aquisição do Banco Master pelo BRB de forma ilícita.