As taxas dos contratos de juros futuros no mercado brasileiro permaneceram próximas da estabilidade nesta sexta-feira, 11, após uma manhã de volatilidade influenciada por fatores políticos e econômicos. Durante o dia, os investidores demonstraram preocupação com o possível impacto do fim do sigilo dos documentos referentes ao caso Master na candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Essa apreensão levou a uma recuperação das taxas ao longo da tarde, encerrando o dia com variações mínimas.
No fechamento, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 registrou uma taxa de 13,62%, ligeiramente abaixo dos 13,633% registrados na sessão anterior, indicando uma leve retração de um ponto-base. Na ponta mais longa da curva de juros, o DI para janeiro de 2035 permaneceu praticamente estável, fechando em 14,165% frente aos 14,164% do dia anterior. Essa estabilidade reflete o cenário de cautela que domina o mercado, diante de decisões judiciais e a expectativa de novos dados econômicos.
No âmbito jurídico, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou que o ministro André Mendonça retire o sigilo de todos os documentos relacionados às investigações do caso Master, com um prazo de 24 horas para cumprimento. A única exceção são informações de diligências ainda em andamento, cuja divulgação poderia comprometer as investigações. Essa decisão ocorre em meio à expectativa de que a divulgação possa afetar a popularidade de Flávio Bolsonaro, que atualmente figura como principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial.
O caso envolvendo Flávio Bolsonaro ganhou destaque após a circulação de um áudio no qual o senador solicita recursos financeiros a Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master, supostamente para financiar o filme Dark Horse. A produção retrata a história do pai de Flávio, Jair Bolsonaro, que atualmente está em prisão domiciliar sob acusação de tentativa de golpe de Estado. Essas revelações alimentaram a preocupação do mercado com possíveis impactos políticos que possam influenciar o cenário eleitoral.
Além do aspecto político, o mercado também aguardava a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha, prevista para a noite desta sexta-feira, que pode fornecer elementos adicionais sobre o cenário eleitoral. Investidores de renda fixa, atentos ao noticiário, optaram por adquirir contratos de juros como forma de proteção contra possíveis oscilações, o que contribuiu para a estabilização das taxas ao longo do dia. Essa movimentação de compra ocorreu após a mínima de 13,999% atingida pelo contrato de janeiro de 2035 às 10h03, e a máxima de 14,215% às 15h51, momento em que o dólar também atingiu sua maior cotação do dia frente ao real.
Na economia real, os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que o índice de preços ao consumidor, o IPCA, registrou uma deflação de 0,32% em agosto, ante julho, um número superior às expectativas do mercado, que projetavam uma deflação de 0,29%. Para o acumulado de 12 meses até agosto, a inflação oficial ficou em 4,22%, abaixo das projeções de 4,27%. Além disso, a desaceleração da inflação foi confirmada pela redução na variação de preços de serviços, que passou de 0,54% em julho para 0,03% em agosto, e pelo comportamento do índice de serviços subjacentes, que caiu de 0,42% para 0,40%.
Os números do IPCA se somaram a indicadores do varejo, como o Índice Cielo de Varejo Ampliado (ICVA), divulgado na manhã, que apontou uma queda de 2% nas vendas de agosto em relação ao mesmo mês do ano anterior, descontada a inflação. Este foi o pior desempenho para o mês desde 2020, período marcado pelos efeitos da pandemia de Covid-19.
Esses dados reforçam a percepção de uma desaceleração da atividade econômica e dos preços no Brasil, alimentando expectativas de que o Banco Central possa reduzir a taxa básica de juros, atualmente em 14%, em 25 pontos-base ainda neste mês, com a possibilidade de novo corte em novembro. Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,4% em agosto, alinhado às projeções de economistas consultados pela Reuters, enquanto o rendimento do Treasury de dez anos, referência global, avançou para 4,969%, subindo três pontos-base nesta sexta-feira, às 16h36.