Os principais índices do mercado financeiro brasileiro apresentaram uma reversão de tendência nesta quinta-feira, 10 de novembro, e passaram a operar em alta, mesmo diante de um quadro internacional marcado por tensões geopolíticas e expectativas de novas decisões sobre juros. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo, subiu 1,3%, atingindo o patamar de 188 mil pontos, impulsionado principalmente pelo desempenho positivo de ações do setor bancário. A recuperação ocorre em um momento de incertezas globais, incluindo o aumento das tensões no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo acima de US$ 100 por barril, o maior valor desde julho, além de dados econômicos dos Estados Unidos e da zona do euro que influenciam as perspectivas de política monetária.
Por volta das 12h40, o dólar comercial operava em queda de 0,2%, cotado a R$ 5,095, após encerrar a véspera em alta de 0,44%, a R$ 5,111. Essa queda na moeda norte-americana reflete uma combinação de fatores, incluindo a expectativa de estabilidade na política monetária brasileira e o movimento de correção após a valorização recente. Os investidores também aguardam uma nova pesquisa eleitoral, que deve ser divulgada nesta sessão, após levantamentos recentes indicarem uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) pelo Palácio do Planalto. Analistas avaliam que a percepção de uma possível mudança na política fiscal, caso haja uma alteração no comando do Executivo, contribui para o otimismo no mercado de ações.
No cenário internacional, as tensões no Oriente Médio continuam a impulsionar os preços do petróleo. Nesta quinta-feira, o barril do tipo Brent, referência no mercado europeu, avançou mais de 4%, atingindo valores superiores a US$ 105. O WTI, indicador do mercado norte-americano, também registrou alta de 4,1%, chegando a US$ 100,02 por barril. Essas valorizações são consequência de uma intensificação dos conflitos entre os houthis, alinhados ao Irã, e forças da Arábia Saudita, que resultaram na tomada da cidade portuária de Mocha, no Iêmen, além de ataques às ilhas de Hanish, no Mar Vermelho. Os confrontos na região aumentaram a preocupação com o abastecimento energético global, uma vez que o conflito ameaça rotas marítimas estratégicas, como o estreito de Bab el-Mandeb.
No âmbito econômico, o Banco Central Europeu (BCE) elevou suas taxas de juros em 0,25 ponto percentual, para 2,5%, marcando a segunda alta neste ano. A decisão foi tomada na quinta-feira, com o objetivo de conter a inflação elevada na zona do euro, que, no mês passado, ultrapassou 3%, bem acima da meta de 2% estipulada pelo BCE. A alta dos preços de energia, decorrente da guerra no Irã, contribuiu para esse cenário inflacionário. Além disso, os dados do índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos, divulgados na mesma manhã, mostraram que a inflação ao atacado teve alta de 0,4% em agosto, enquanto o avanço em 12 meses foi de 5,4%, números próximos às expectativas do mercado. Apesar disso, há uma expectativa de que o Federal Reserve (Fed) eleve novamente as taxas de juros na próxima semana, em sua primeira alta desde o início de 2023, diante da persistente pressão inflacionária.
A combinação desses fatores reforça o ambiente de incerteza global, mas também favorece a recuperação do mercado brasileiro, que demonstra resiliência diante do cenário adverso, refletindo a percepção de que uma eventual mudança de governo pode resultar em políticas fiscais mais rigorosas e sustentáveis no Brasil.