Nesta sexta-feira, 4 de agosto, o preço do Bitcoin voltou a operar em queda, rompendo a barreira de US$ 80 mil e atingindo sua cotação mais baixa em três meses. A desvalorização do ativo digital foi influenciada por uma aversão ao risco que se intensificou após a divulgação do relatório de empregos do setor privado nos Estados Unidos, conhecido como payroll, referente ao mês de agosto. Os dados revelaram um mercado de trabalho mais robusto do que o esperado, o que alimentou especulações de que o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, poderá elevar novamente as taxas de juros na sua próxima reunião.
Segundo informações disponíveis na plataforma Binance, às 16 horas (horário de Brasília), o Bitcoin apresentava uma queda de 1,75%, sendo negociado a aproximadamente US$ 79.620. Em contrapartida, o Ethereum, principal concorrente da criptomoeda, registrou uma alta de 1,4%, cotado a cerca de US$ 2.451,47. Apesar da recente oscilação negativa, o Bitcoin acumulou uma valorização de 2,7% na semana, enquanto o Ethereum sofreu uma queda de 2,3% no mesmo período.
O comportamento do Bitcoin nesta semana refletiu uma tendência semelhante à do ouro, considerado tradicionalmente como um ativo de refúgio em momentos de instabilidade econômica. No entanto, especialistas como James Butterfill, da CoinShares, destacam que sinais macroeconômicos mais fracos têm limitado o apelo do Bitcoin como proteção contra riscos financeiros. Ele explica que, embora o ativo digital continue sendo visto por alguns investidores como uma reserva de valor, fatores como o conflito internacional envolvendo o Irã e a deterioração da confiança na dívida soberana dos Estados Unidos poderiam impulsionar o Bitcoin a superar a resistência de US$ 80 mil.
Em relação às expectativas de política monetária, Butterfill avalia que o mercado está precificando de forma excessiva uma alta de juros pelo Fed em setembro, especialmente diante de dados de emprego mais fracos e de uma crescente divergência dentro do próprio banco central sobre a importância relativa da inflação versus o mercado de trabalho. Ele também aponta que eventos futuros, como a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) em 11 de setembro e a votação do Senado sobre a Clarity Act, prevista para 15 de setembro, podem influenciar o cenário. A proposta de lei, que beneficia o setor de criptomoedas ao classificá-las como commodities em vez de valores mobiliários, é considerada um fator de atenção para o mercado de ativos digitais.
Esses fatores macroeconômicos e políticos reforçam a volatilidade do mercado de criptomoedas, que permanece sensível às expectativas de política monetária e às condições econômicas globais. A expectativa é que as próximas semanas tragam novos movimentos no preço do Bitcoin, influenciados pelos dados econômicos e pelas decisões regulatórias que estão por vir, especialmente nos Estados Unidos, maior mercado de criptomoedas do mundo.