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Petróleo encerra sessão volátil com incertezas sobre o Estreito de Ormuz e possíveis rotas alternativas

•22 de agosto de 2018 REUTERS/Nick Oxford

O mercado de petróleo fechou nesta quinta-feira, 3 de novembro, sem uma direção clara, após uma sessão marcada por alta volatilidade e uma série de fatores que alimentam a incerteza sobre o futuro da navegação na região do Golfo Pérsico. As oscilações ocorreram em meio a relatos de que a Síria estaria se posicionando como uma rota terrestre alternativa ao Estreito de Ormuz, uma das principais passagens estratégicas para o transporte de petróleo mundial. Simultaneamente, surgiram informações indicando divergências entre o Irã e Omã acerca da navegação na área, enquanto os ataques no Golfo continuam a aumentar a tensão na região.

Na Bolsa de Nova York, o petróleo tipo WTI para entrega em outubro fechou em alta de 0,32%, ou US$ 0,29, cotado a US$ 91,30 por barril. Já o petróleo Brent, negociado na Bolsa de Londres para novembro, apresentou queda de 0,12%, ou US$ 0,11, encerrando o pregão a US$ 95,52 por barril. Esses movimentos refletem a complexidade do cenário, no qual fatores geopolíticos e estratégicos continuam influenciando os preços do petróleo.

De acordo com uma reportagem do The Washington Post, a Síria, sob o comando de seu novo presidente, Ahmed al-Sharaa, tem se apresentado como uma possível rota terrestre mais estável para o transporte de energia e mercadorias, oferecendo uma alternativa ao tradicional Estreito de Ormuz. Essa estratégia, se consolidada, poderia alterar significativamente as rotas de exportação de petróleo na região. O presidente americano Donald Trump, aliado de al-Sharaa, considerou essa informação como uma “ótima notícia”. Trump também afirmou que os Estados Unidos dispõem de “quantidades virtualmente ilimitadas de munição”, indicando que o país possui recursos além do necessário para qualquer operação militar contra o Irã ou outras ações de conflito na região.

Por outro lado, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, declarou nesta quinta-feira que o governo norte-americano não iniciará diálogos com o Irã até que o país cesse seus ataques às embarcações no Estreito de Ormuz. Essa postura reforça a atual política de contenção e de aumento da pressão sobre o Irã, que voltou a atacar bases americanas em países vizinhos, com bombardeios de mísseis e drones em instalações dos Estados Unidos nos Emirados Árabes Unidos e no Kuwait.

Analistas do Goldman Sachs destacam que o mercado de transporte marítimo de petróleo já precifica um cenário de prolongamento do status quo de “sem acordo no Oriente Médio”. Ainda assim, apontam que a crescente adaptação do mercado às condições de conflito, incluindo o aumento da frota fantasma de navios e a sensibilidade aos preços de importação de petróleo pela China, deve atuar como um fator de contenção na alta dos preços do petróleo.

O ministro do Petróleo do Irã, Mohsen Paknejad, afirmou que uma parte significativa dos danos às instalações energéticas do país já foi reparada, e que a recuperação da capacidade de produção está ocorrendo em ritmo acelerado. Essa declaração sugere uma tentativa de minimizar os efeitos das ações militares e de ataques recentes na região.

Por fim, informações do The New York Post indicam que Omã recusou um pedido do Irã para atuar em conjunto na cobrança de taxas de serviço de navios comerciais no Estreito de Ormuz, em meio às ameaças de Washington contra ambos os países. Essa recusa contrasta com declarações anteriores feitas pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), que havia indicado possíveis acordos de cooperação na região, evidenciando a complexidade das negociações e o clima de tensão que permeia o estreito estratégico.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade