O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou denúncia contra oito indivíduos envolvidos em um esquema de lavagem de dinheiro oriundo do jogo do bicho, utilizando empresas de apostas esportivas online, conhecidas como bets. As investigações, conduzidas pelo Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), revelaram que os denunciados, cujos nomes são Flavio da Silva Santos, Vinicius Pereira Drumond, Alexandre Vinicius da Costa Guedes, Jorge Roberto de Oliveira Figueiredo, João Eric Lourenço da Silva, Ana Paula Batista Vitorino, João Victor de Araujo Souza e Lucas Pastore Laporte de Souza, ocultaram de forma ilícita pelo menos R$ 5,2 milhões.
As ações policiais resultaram na realização de mandados de busca e apreensão em diversos endereços situados na cidade do Rio de Janeiro, incluindo bairros como Barra da Tijuca, Freguesia, Botafogo e centro, além de operações em estados vizinhos, como Paraná e Goiás. Essas diligências foram coordenadas pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do MPRJ, que contou com o apoio de ministérios públicos locais para as buscas fora do Rio.
A medida judicial também determinou a suspensão das atividades e a suspensão dos cadastros nacionais de Pessoas Jurídicas (CNPJs) das empresas JRF Eagle Participações e Invectry Participações, ambas envolvidas no esquema. A denúncia foi formalizada na 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Rio de Janeiro, que recebeu o documento na última semana.
Segundo as investigações, os recursos obtidos por meio de contravenções, como o jogo do bicho, eram inseridos na economia formal através da casa de apostas Rio Jogos, operada pela empresa Lema Administração e Participações S/A. Para facilitar o esquema ilícito, o grupo utilizava diversas empresas de fachada, incluindo as citadas JRF Eagle Participações e Invectry Participações, além de indivíduos apontados como laranjas, que atuavam como intermediários na movimentação financeira.
O rastreamento financeiro realizado pelos investigadores identificou uma movimentação significativa em 6 de maio de 2024. Nesse dia, a Lema recebeu dois aportes de R$ 2,5 milhões cada, um proveniente de João Eric Lourenço da Silva e outro de uma empresa chamada Apoio Consultoria Financeira, ambas de propriedade dos denunciados Ana Paula Batista Vitorino e João Victor de Araujo Souza. No mesmo dia, a Lema efetuou uma transferência de R$ 5,2 milhões para a Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), sob a justificativa de pagamento de outorga para a exploração de apostas de cota fixa, procedimento necessário para operar legalmente no setor de apostas.
A operação revela a complexidade do esquema, que combina atividades ilícitas de jogo do bicho com a formalização de valores por meio de empresas de apostas regulamentadas, dificultando a fiscalização e o combate ao crime organizado. A denúncia do MPRJ destaca a importância de ações coordenadas entre diferentes órgãos de fiscalização e justiça para desmantelar redes criminosas que operam à margem da legislação, movimentando milhões de reais de forma clandestina e dissimulada.