O Banco Central (BC) divulgou nesta quarta-feira (2) uma nota de sua 66ª reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), na qual reforça a preocupação com a crescente complexidade e sofisticação dos mecanismos utilizados por criminosos para realizar fraudes financeiras associadas a incidentes cibernéticos. Segundo o órgão, esses ataques têm se tornado cada vez mais elaborados, com os ativos virtuais, especialmente as criptomoedas, desempenhando papel central no escoamento dos recursos ilícitos obtidos por meio dessas fraudes.
A autoridade monetária destacou que, ao longo do ano, o Sistema Financeiro Nacional (SFN) enfrentou diversos episódios de invasões e quebras de segurança, que resultaram na manipulação e ocultação de recursos ilegais. Em análise técnica conduzida pelo comitê, foi constatado que esses incidentes estão diretamente ligados à utilização de ativos virtuais como instrumento principal para a movimentação dos valores provenientes de atividades criminosas. Os dados indicam que, em 2026, as criptomoedas foram as principais ferramentas empregadas para facilitar a lavagem de dinheiro e o escoamento de recursos ilícitos, evidenciando um aumento na sofisticação das modalidades de fraude.
Além do foco nos ataques cibernéticos ao SFN, o Comef também avaliou incidentes mais recentes relacionados ao ecossistema de recebíveis de arranjos de pagamento, além de mapear os riscos operacionais associados ao modelo de Banking as a Service (BaaS). Este último, que permite a fintechs e marcas utilizarem infraestrutura de terceiros para oferecer serviços bancários, apresenta fragilidades e brechas de segurança que, segundo o documento, demandam atenção e ações mais rigorosas por parte dos participantes do setor financeiro.
Diante dessas vulnerabilidades, o Banco Central reforçou a necessidade de uma postura mais rígida por parte das instituições financeiras e demais agentes envolvidos nesses ambientes. O órgão destacou a responsabilidade direta dessas entidades na implementação de medidas preventivas e de mitigação de riscos, incluindo o fortalecimento de mecanismos de governança, controles internos, gestão de riscos e segurança operacional. Além disso, enfatizou a importância de ações de prevenção ativa contra fraudes, de modo a reduzir a vulnerabilidade diante do aumento da sofisticação dos ataques cibernéticos.
Por fim, o BC cobrou uma postura proativa dos participantes do sistema financeiro para enfrentar as ameaças crescentes, reforçando que a segurança e a integridade do ecossistema financeiro dependem de uma atuação coordenada e contínua na adoção de melhores práticas de proteção e controle. As recomendações do comitê refletem uma preocupação constante do Banco Central com a evolução das ameaças cibernéticas e o impacto dessas na estabilidade do sistema financeiro nacional.