Nesta quinta-feira, 6 de dezembro, os Estados Unidos divulgaram um conjunto de ações destinadas a reforçar a produção doméstica de materiais essenciais para a indústria de energia solar e semicondutores, em resposta à crescente competição com a China. A iniciativa inclui a imposição de preços mínimos e uma tarifa de 15% sobre produtos fabricados com polissilício, uma matéria-prima fundamental na fabricação de painéis solares e semicondutores, cuja maior produção atualmente ocorre na China.
A medida foi oficializada por meio de uma proclamação do presidente dos EUA, Donald Trump, fundamentada na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962. O objetivo declarado é fortalecer as cadeias de suprimentos nacionais desses setores estratégicos, considerados essenciais para a competitividade do país em áreas como inteligência artificial, energia limpa e tecnologia avançada. Segundo a proclamação, a iniciativa visa garantir a viabilidade econômica da produção de polissilício nos Estados Unidos, além de atender às exigências de segurança nacional.
O polissilício, uma forma altamente pura de silício, constitui a base das cadeias de fabricação de semicondutores e painéis solares. Sua produção envolve a transformação de pastilhas de silício em células solares, que posteriormente são montadas em painéis utilizados em projetos de energia renovável. Nos últimos dez anos, as fábricas de energia solar americanas têm enfrentado concorrência desleal por parte de empresas chinesas, acusadas de práticas como dumping — venda de produtos abaixo do custo de produção —, recebimento de subsídios governamentais injustos e transferência de operações para outros países para evitar tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
Atualmente, a produção de polissilício nos EUA é limitada, com apenas duas fábricas operando no país. Uma delas, a Hemlock Semiconductor, localizada em Michigan, é resultado de uma joint venture entre a fabricante de vidro Corning e a japonesa Shin-Etsu Handotai. A outra, operada pela Wacker Chemie, de Munique, está situada no Tennessee. Essas instalações são consideradas estratégicas para o setor, uma vez que sustentam a cadeia de produção de painéis solares e semicondutores no país.
A decisão do governo americano foi recebida com otimismo por representantes do setor industrial. Um porta-voz da Corning afirmou que a medida incentiva investimentos contínuos na capacidade produtiva dos Estados Unidos e reforça a competitividade do país a longo prazo. A Wacker Chemie também declarou estar analisando as implicações das novas medidas, destacando a importância do envolvimento do governo para garantir a resiliência da cadeia de suprimentos de semicondutores, além de aspectos relacionados à infraestrutura de computação avançada, defesa e segurança nacional.
A relação entre a indústria solar e a fabricação de semicondutores é estreita, uma vez que a demanda por polissilício na energia solar sustenta a produção de materiais utilizados na fabricação de chips. Segundo dados da Associação da Indústria de Semicondutores, o setor de energia solar responde por uma parcela significativa dessa demanda global, representando cerca de 2,4% do consumo mundial de polissilício. Assim, as ações adotadas pelos Estados Unidos buscam fortalecer essa cadeia produtiva, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros e promovendo o desenvolvimento de uma indústria nacional mais robusta e autossuficiente.