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Brasil participa de pesquisa internacional que busca desenvolver tratamento e cura para hepatite B

Dois centros de pesquisa públicos brasileiros integraram uma iniciativa global inédita voltada ao desenvolvimento de novos tratamentos e à busca pela cura da hepatite B, doença viral que representa um grave problema de saúde pública. A pesquisa, liderada pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, reúne instituições de países como Índia, Senegal e Uganda, além do Brasil, que é representado pelo Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes) e pela Universidade de São Paulo (USP).

O objetivo central do consórcio é compreender, a nível celular, o comportamento do vírus em diferentes populações e as respostas imunológicas de indivíduos infectados, incluindo aqueles que convivem simultaneamente com hepatite B e HIV. A iniciativa visa identificar fatores que influenciam a evolução do vírus em cada paciente, bem como características genéticas que possam conferir proteção contra a progressão mais rápida da doença. Além disso, pretende-se descobrir subpartículas do vírus que possam servir como indicadores de cura ou de resposta ao tratamento.

Segundo a professora Tânia Reuter, do Hucam-Ufes, a ausência de cura definitiva para a hepatite B é um desafio global. Ela destaca que o principal objetivo do projeto é eliminar a hepatite B como problema de saúde pública até 2030, alinhando-se às metas internacionais de erradicação das hepatites virais. O estudo, iniciado no Brasil neste ano, tem previsão de duração de aproximadamente cinco anos e combina pesquisa básica com prática clínica, buscando avanços concretos no manejo da doença.

Reuter explica que a pesquisa envolve o acompanhamento de 600 pacientes infectados pelo vírus da hepatite B, incluindo indivíduos com coinfecção por HIV, ao longo de cerca de quatro anos e meio cada. O recrutamento começou em julho, e atualmente há 40 participantes, com a meta de completar 75 até o final de 2024. Cada país participante contribuirá com 150 pacientes, sendo 75 sob responsabilidade da equipe brasileira.

O foco do estudo é entender os mecanismos que levam à evolução diferenciada do vírus em cada paciente, identificar fatores genéticos de proteção e determinar quais partículas virais podem atuar como preditores de cura ou de resposta ao tratamento. Reuter afirma que o objetivo é descobrir alvos terapêuticos que possam facilitar o desenvolvimento de medicamentos, incluindo imunomoduladores e imunestimuladores, contribuindo assim para estratégias mais eficientes de combate à doença.

A especialista ressalta a relevância do trabalho, uma vez que a hepatite B é uma das principais causas de câncer de fígado, conhecido como hepatocarcinoma. O avanço na pesquisa pode ajudar a mitigar a progressão da cirrose e do câncer hepático, que representam riscos de mortalidade elevados. A doença é silenciosa, muitas vezes sem sintomas evidentes, e sua progressão pode levar à insuficiência hepática, cirrose avançada e morte.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 240 milhões de pessoas vivem com infecção crônica por hepatite B globalmente, com uma alta carga de casos no Brasil, onde foram confirmados aproximadamente 276,6 mil registros entre 2000 e 2022, segundo o Ministério da Saúde. A transmissão ocorre principalmente por contato sexual, contato com sangue contaminado, além de transmissão vertical de mãe para filho durante a gestação ou parto. O vírus do tipo B é considerado 100 vezes mais contagioso que o HIV, reforçando a necessidade de estratégias de prevenção eficazes.

A meta da OMS para 2030 é eliminar as infecções por hepatites virais, HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis como ameaças à saúde pública. Desde 2015, a cobertura de vacinação tem aumentado globalmente, e, em 2024, atingiu 84% na infância, contribuindo para uma redução de 32% nas infecções por hepatites virais ao redor do mundo.

No Brasil, a principal estratégia de prevenção é a vacinação, disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Crianças devem receber quatro doses da vacina ao nascer, aos 2, 4 e 6 meses de idade, enquanto adultos devem completar o esquema com três doses. Outras medidas preventivas incluem o uso de preservativos em todas as relações sexuais e a não compartilhamento de objetos perfurocortantes ou de uso pessoal, reforçando a importância de ações de saúde pública na redução da transmissão da hepatite B.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade