O crescimento das apostas esportivas, conhecidas como bets, tem despertado preocupações no setor imobiliário brasileiro, especialmente no que diz respeito ao orçamento das famílias e sua capacidade de consumo. A discussão foi destaque nesta quinta-feira, 27 de outubro, durante a 23ª edição da Convenção Secovi-SP, realizada em São Paulo, onde representantes do mercado imobiliário analisaram os efeitos dessa nova modalidade de apostas na saúde financeira dos consumidores e, por consequência, no mercado de imóveis.
Segundo Eduardo Fischer, CEO da MRV&Co, uma das maiores construtoras do país, o impacto das apostas esportivas deve ser avaliado em conjunto com o aumento do endividamento das famílias e o cenário macroeconômico atual. Fischer destacou que, atualmente, o consumidor chega às etapas finais de uma compra com uma situação financeira mais fragilizada do que em períodos anteriores. Essa condição, segundo ele, reflete um quadro de desequilíbrio que pode afetar a decisão de adquirir um imóvel.
O executivo explicou que, embora as bets tenham um papel nesse cenário, elas não são a única causa do aumento do endividamento. Fischer afirmou que o comprometimento da renda das famílias também decorre das condições econômicas do país e de um endividamento acumulado, que afeta a capacidade de consumo de diferentes bens e serviços. “Não é só a bet, mas, com certeza, ela tem um componente nesse contexto. O endividamento de todo esse cenário macroeconômico que estamos vivendo influencia essa situação”, afirmou.
Fischer reforçou que o impacto sobre o mercado imobiliário ocorre porque o consumidor que compra um imóvel também enfrenta outras despesas do dia a dia. Ele observou que as famílias brasileiras estão mais endividadas do que nunca, o que tem refletido na redução do consumo em diversos setores, como o varejo. “O mesmo cliente que compra uma geladeira ou um imóvel é o que enfrenta dificuldades financeiras atualmente”, comentou.
Para o CEO da MRV&Co, o aumento do endividamento e o consumo mais restrito representam uma preocupação importante para o setor imobiliário, mesmo em segmentos onde a demanda permanece relativamente forte. Ele destacou que o consumidor mais endividado tende a chegar às negociações de compra de imóveis mais desequilibrado financeiramente, o que demanda atenção por parte do setor.
Fischer também abordou a questão das apostas esportivas como um fenômeno que vai além do impacto econômico imediato, apontando que sua influência pode se estender para a saúde pública. Ele afirmou que o debate sobre o tema deve incluir essa perspectiva, uma vez que o envolvimento excessivo com as bets pode gerar consequências sociais relevantes.
Por fim, o executivo alertou que o impacto das apostas esportivas pode afetar diversos setores produtivos da economia, ao comprometer parte da renda destinada ao consumo de bens e serviços. Segundo Fischer, essa situação pode gerar um efeito cascata, prejudicando o crescimento de diferentes segmentos econômicos, além de ampliar o desafio de manter a estabilidade financeira das famílias brasileiras em um momento de fragilidade econômica.