O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apresentou nesta quinta-feira, 27 de outubro, denúncia contra 20 indivíduos investigados por integrarem núcleos ligados à milícia de Curicica, na zona oeste da cidade, e ao Terceiro Comando Puro (TCP), facção criminosa atuante em diferentes regiões do Rio. Entre os denunciados estão dois policiais militares, cuja atuação no fornecimento e na intermediação de armas e munições foi apontada como fundamental para a sustentação dessas organizações criminosas.
Os policiais militares Jorge Anastácio Rodrigues Simões, lotado no 4º Batalhão da Polícia Militar, localizado no Méier, e Leo Carlos Araújo Santos, que atua no 2º Batalhão, em Botafogo, foram presos preventivamente durante as investigações. A denúncia destaca que ambos teriam desempenhado papel direto na aquisição e distribuição de armas de fogo, munições e outros materiais bélicos destinados às atividades ilícitas das organizações paramilitares. A prisão preventiva foi decretada pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital, que justificou a medida com base na gravidade dos fatos, na estrutura armada das organizações, no risco de reiteração criminosa e na necessidade de preservação da ordem pública.
A denúncia formaliza acusações contra os envolvidos pelos crimes de constituição de milícia privada, associação para o tráfico de drogas com emprego de arma de fogo e comércio ilegal de armas e munições de uso restrito. Segundo o Ministério Público, a estrutura da milícia de Curicica apresenta uma hierarquia bem definida, com divisão de tarefas e comando estratégico liderado por André Costa Bastos, conhecido como “Boto” ou “Redbull”. Mesmo preso no sistema penitenciário federal, Bastos é apontado como responsável pela coordenação geral da organização. Na linha operacional, Osmar Silva de Souza, conhecido como “Messi” ou “Novinho”, exerce liderança direta nas ações do grupo.
A organização criminosa tem suas fontes de financiamento na extorsão de moradores e comerciantes locais, além de roubos de veículos e cargas na região de Jacarepaguá e áreas próximas. As investigações revelaram também uma aliança entre a milícia de Curicica e integrantes do Terceiro Comando Puro, atuantes nos complexos da Maré e da Pedreira. Essa aliança, baseada em um pacto de não agressão e cooperação operacional, visa fortalecer as ações contra grupos rivais, especialmente o Comando Vermelho, e facilitar o comércio ilícito de armas e drogas. Yuri Guimarães Soares, conhecido como “Lirow”, é apontado como o elo entre a estrutura paramilitar e a facção criminosa.
A denúncia também aponta para o comércio clandestino de armamento de alto poder ofensivo, incluindo fuzis, pistolas e munições de uso restrito. Em nota, a Polícia Militar informou que, na manhã do dia 27, a Corregedoria Geral da corporação acompanhou uma operação do Gaeco, que resultou na prisão de dois policiais militares envolvidos nas atividades ilícitas. Os agentes serão encaminhados à Unidade Prisional de Niterói, onde permanecerão à disposição da Justiça, e passarão por procedimentos administrativos disciplinares (PADs) para avaliar sua permanência na corporação.
A ação do Ministério Público e da Polícia Militar evidencia o esforço conjunto para desmantelar organizações criminosas estruturadas, que atuam de forma paramilitar e representam uma ameaça à segurança pública na região metropolitana do Rio de Janeiro.