Diversas das maiores companhias do setor de tecnologia e representantes de outros segmentos econômicos assinaram nesta quinta-feira, 27 de outubro de 2023, uma carta conjunta na qual pedem uma mobilização social e governamental para enfrentar a crescente ameaça de ataques cibernéticos potencializados pelo uso de inteligência artificial. Entre as signatárias estão gigantes como Amazon, Microsoft, Google, além de desenvolvedoras de IA como OpenAI e Anthropic. A iniciativa busca alertar para um cenário de risco iminente, em que a evolução rápida dos modelos de inteligência artificial pode facilitar uma onda de ciberataques mais sofisticados e frequentes.
A carta, intitulada “Um apelo à ação coletiva em defesa cibernética”, conta com mais de 100 assinaturas, incluindo empresas de setores diversos, como a montadora General Motors, além de instituições financeiras como Mastercard e Visa. O documento enfatiza a necessidade de uma resposta rápida e coordenada diante do que consideram uma ameaça que exige atenção urgente. Segundo o texto, o tempo para reforçar a segurança digital de forma efetiva está se esgotando, em um momento em que a tecnologia de IA avança rapidamente e se torna uma ferramenta de potencial uso malicioso.
Nos próximos meses, as empresas alertam que os ataques cibernéticos facilitados por inteligência artificial devem se tornar mais frequentes e complexos, à medida que os modelos de IA se tornam mais capazes e acessíveis globalmente. A carta reforça a importância de que líderes governamentais e do setor privado utilizem toda a sua tecnologia, recursos e expertise para implementar estratégias de defesa mais eficazes. Entre as recomendações estão o fortalecimento de programas de acesso confiável a modelos avançados de IA, que atualmente são disponibilizados a algumas empresas antes do público em geral, e a priorização da defesa cibernética como uma questão de liderança imediata para todas as organizações.
O documento também destaca a necessidade de acelerar ações governamentais para garantir a segurança do ambiente digital. Nesse sentido, os signatários pedem que o governo intensifique programas de acesso confiável, que proporcionam a certas empresas a possibilidade de trabalhar com modelos de IA mais poderosos de forma controlada, antes de sua liberação ao mercado amplo. Além disso, a carta recomenda que todas as organizações tornem a defesa cibernética uma prioridade de liderança, adotando medidas que possam mitigar riscos de ataques potencialmente devastadores.
Até o momento, as agências de segurança dos Estados Unidos, como a CISA (Cybersecurity and Infrastructure Security Agency), e a Casa Branca não se pronunciaram oficialmente sobre o conteúdo da carta. A CISA, que sofreu cortes de orçamento e redução de sua força de trabalho após a chegada do governo de Donald Trump, tem um papel central na coordenação de ações de defesa cibernética no país. Em junho passado, a aliança de inteligência internacional conhecida como “Five Eyes”, composta por Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, publicou uma declaração conjunta alertando que a revolução impulsionada pela inteligência artificial está prestes a transformar o cenário de segurança digital global. A organização descreveu a tecnologia como um risco central para os negócios e enfatizou a urgência de ações coordenadas para lidar com esse novo panorama de ameaças.