A fabricante chinesa Jetour está considerando a possibilidade de estabelecer uma linha de produção no Brasil, incluindo a opção de utilizar instalações de terceiros, como já fazem outras marcas do país asiático. Essa estratégia foi confirmada pelo diretor de marketing para o Brasil, Henrique Sampaio, em entrevista à Reuters, que destacou a viabilidade de dividir espaços ociosos de fábricas de grupos automotivos já estabelecidos no país, desde que as marcas não concorram diretamente no mesmo segmento.
Segundo Sampaio, essa abordagem representa uma estratégia inteligente e benéfica para ambas as partes. Ele citou como exemplo o mercado sul-africano, onde a Jetour mantém parceria com a japonesa Nissan, uma prática que pode ser replicada no Brasil. A possibilidade de cooperação com outras marcas para produção local também foi mencionada pelo executivo, que afirmou que a Jetour estaria aberta a esse tipo de associação, embora não tenha confirmado negociações específicas, como a tentativa de ocupar uma fábrica ociosa da Caoa Chery em Jacareí (SP), parada desde 2022.
A Jetour, integrante do grupo automotivo chinês Chery e parceira da Caoa no Brasil, iniciou suas vendas no país em março de 2023 e atualmente conta com cerca de 60 concessionárias, com a meta de atingir 100 unidades até o final de 2026. A marca planeja investir aproximadamente R$ 400 milhões no mercado brasileiro até 2027, valor que, segundo Sampaio, não inclui ainda a produção local.
O executivo ressaltou que, assim como outras fabricantes chinesas, a Jetour está intensificando seus esforços para consolidar sua presença no Brasil, um mercado que, apesar de sua grandeza, apresenta desafios devido à forte concorrência e às margens de lucro reduzidas. Ele destacou que o crescimento acelerado de marcas chinesas no país, incluindo BYD, GWM, Geely, GAC, Leapmotor e Changan, reflete a necessidade de se estabelecer rapidamente para garantir espaço no mercado.
Sampaio também enfatizou a competitividade do mercado brasileiro de veículos, atualmente o sexto maior do mundo, com previsão de vendas próximas a 3 milhões de unidades neste ano, apesar de ainda estar abaixo do recorde de 3,8 milhões registrado em 2012. Ele reforçou que, na China, há atualmente 146 marcas de automóveis, o que intensifica a competição e pressiona as margens de lucro, levando muitas empresas a buscarem operações fora do país.
Para acelerar sua entrada e consolidação no Brasil, a Jetour reconhece a importância de estabelecer sua marca rapidamente. Segundo Sampaio, quem consegue se consolidar cedo no mercado tem maior probabilidade de permanecer na preferência do consumidor, especialmente diante do crescente número de opções de veículos elétricos chineses, em sua maioria importados, que oferecem recursos avançados e preços competitivos.
Atualmente, a Jetour comercializa cerca de 4 mil veículos no Brasil, predominantemente utilitários híbridos. A marca planeja lançar seis novos modelos ao longo de 2023, com quatro já apresentados ao público. O próximo lançamento será o utilitário híbrido plug-in G700, previsto para ser divulgado ainda neste mês, pouco após a apresentação do jipão T2 na versão 4×4. A estratégia da companhia é lançar ao menos um modelo inédito por ano nos próximos cinco anos, buscando ampliar sua presença e reconhecimento no mercado brasileiro.