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Banco Central reduz juros para 14% ao ano e destaca incertezas externas e internas na decisão de política monetária

•, 18 de dezembro de 2024. REUTERS/Adriano Machado

O Banco Central do Brasil anunciou nesta quarta-feira, 5 de setembro, a redução da taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, levando-a ao patamar de 14% ao ano. A decisão, amplamente antecipada pelo mercado financeiro, foi comunicada por meio de um documento oficial do Comitê de Política Monetária (Copom), que também reforçou a cautela diante do cenário de elevada incerteza tanto no âmbito externo quanto interno.

O comunicado do Copom reforça que o ambiente externo permanece marcado por instabilidade e incertezas, principalmente devido à indefinição em relação aos conflitos armados no Oriente Médio e às políticas monetárias de economias avançadas, que influenciam a volatilidade de ativos e commodities no mercado global. Essas condições elevam o nível de risco para países emergentes, incluindo o Brasil, que deve navegar com atenção a movimentos de preços de bens essenciais e riscos de desancoragem das expectativas de inflação.

No cenário doméstico, os indicadores econômicos divulgados desde a última reunião do Copom sugerem uma moderação gradual na atividade econômica, que, apesar de resiliente, apresenta sinais mistos entre diferentes setores. O mercado de trabalho permanece aquecido, enquanto a inflação, embora desacelerada, ainda se mantém acima do limite superior da meta oficial. As projeções de inflação para os anos de 2026 e 2027, obtidas na pesquisa Focus, permanecem acima do centro da meta, situando-se em 5,0% e 4,2%, respectivamente. Para o primeiro trimestre de 2028, a expectativa do Copom é de uma inflação de 3,2%, dentro do horizonte de política monetária.

O documento aponta que os riscos para a inflação continuam elevados e assimétricos, com maior probabilidade de alta. Entre esses riscos, destacam-se a possível desancoragem das expectativas de inflação por períodos mais longos, influenciada por choques de oferta relacionados ao petróleo, derivados e condições climáticas que afetam a produtividade agrícola e os custos energéticos. Além disso, há riscos de maior persistência na inflação de serviços, influenciada por um hiato do produto mais positivo do que o previsto, e de impactos inflacionários decorrentes de políticas econômicas internas e externas, incluindo uma taxa de câmbio mais depreciada e estímulos à demanda agregada que possam elevar o crescimento acima do potencial econômico.

Por outro lado, os riscos de baixa também são considerados relevantes, incluindo uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica doméstica, uma desaceleração global mais intensa devido a choques de comércio e petróleo, além de possíveis quedas nos preços de commodities que poderiam exercer efeito deflacionário.

O Copom reafirmou seu compromisso de monitorar continuamente os efeitos da política fiscal e as condições do mercado financeiro, destacando que a magnitude do ciclo de ajuste na política monetária será ajustada conforme novas informações que contribuam para a convergência da inflação à meta. A decisão de reduzir a Selic para 14% ao ano visa compatibilizar a política monetária com a estratégia de controle inflacionário, ao mesmo tempo em que busca suavizar as oscilações econômicas e promover o pleno emprego.

A decisão contou com o voto dos seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira, que reforçaram a necessidade de cautela diante do cenário de alta volatilidade e incerteza global.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade