A atividade econômica brasileira registrou retração em duas das cinco principais regiões do país no mês de junho, em comparação com o mês anterior, conforme dados ajustados sazonalmente do Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR) divulgado pelo Banco Central nesta quarta-feira, 26 de setembro. Apesar da diminuição pontual em alguns estados, o cenário geral aponta para crescimento em âmbito anual e acumulado no primeiro semestre do ano, refletindo a complexidade da recuperação econômica nacional.
Segundo o levantamento do Banco Central, a região Sudeste apresentou a maior queda mensal, com uma redução de 0,7% na atividade econômica. Essa região, que concentra uma parcela significativa do produto interno bruto (PIB) do país, foi impactada por fatores diversos, incluindo ajustes nos setores industriais e de serviços. Na sequência, o Norte também apresentou recuo de 0,2%, indicando uma leve desaceleração na atividade econômica dessa área, que inclui estados como Amazonas e Pará.
Por outro lado, as regiões Nordeste, Sul e Centro-Oeste tiveram variações positivas no mês de junho. O Nordeste liderou as altas, com um crescimento de 0,7%, impulsionado por setores que mostraram resistência, como comércio e serviços. O Sul teve aumento de 0,1%, enquanto o Centro-Oeste também cresceu 0,1%, refletindo uma recuperação moderada nesses polos econômicos.
Analisando os dados por estados, o Banco Central acompanhou 14 unidades federativas, das quais nove apresentaram queda na atividade econômica em junho. Entre os estados com maior retração estão Espírito Santo (-8,4%), Amazonas (-4,4%), São Paulo (-0,8%), Mato Grosso (-0,8%), Ceará (-0,6%), Rio de Janeiro (-0,6%), Pernambuco (-0,4%), Goiás (-0,2%) e Paraná (-0,1%). Essas quedas indicam desafios específicos em setores econômicos locais, além de possíveis efeitos de fatores externos ou de política econômica.
Em contrapartida, alguns estados apresentaram crescimento significativo. A Bahia destacou-se com uma alta de 2,9%, seguida pelo Pará (1,7%), Minas Gerais (1,1%), Rio Grande do Sul (0,6%) e Santa Catarina (0,3%). Esses números refletem uma recuperação setorial e regional, mesmo diante das oscilações observadas no mês.
No comparativo com junho de 2022, os dados indicam que a atividade econômica cresceu em quatro das cinco regiões do país, com destaque para o Sul, que registrou um avanço de 3,6%. O Sudeste também apresentou crescimento de 2,2%, enquanto o Nordeste cresceu 1,8% e o Centro-Oeste, 1,6%. O Norte foi a única região a registrar queda de 0,6%, evidenciando uma desaceleração pontual na região amazônica.
No acumulado do primeiro semestre de 2023, a atividade econômica mantém tendência de crescimento em todas as regiões, com destaque para o Nordeste, que apresentou avanço de 2,4%. Em uma análise de 12 meses, o crescimento se mantém em todas as regiões, sendo o Centro-Oeste o que apresentou maior alta, de 2,9%. Seguem-se o Nordeste (2,4%), Sul (2,4%), Sudeste (1,8%) e Norte (1,7%). Esses números demonstram uma recuperação contínua do setor produtivo ao longo do ano, apesar das oscilações mensais.
Os dados do IBCR reforçam a complexidade do cenário econômico brasileiro, evidenciando que, embora haja desaceleração pontual em algumas regiões, o crescimento anual e de longo prazo permanece consistente, sustentado por fatores internos e externos que influenciam o ritmo de recuperação do país.