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Canadá e Estados Unidos encerram negociações comerciais sem acordo e anunciam retaliações mútuas

•07/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein

As negociações comerciais entre Canadá e Estados Unidos foram oficialmente interrompidas na noite de sexta-feira (21), após tentativas frustradas de chegar a um acordo que evitasse a imposição de tarifas americanas sobre produtos canadenses. Apesar de declarações otimistas feitas no início da semana, que indicavam a possibilidade de evitar tarifas de 50% sobre US$ 20 bilhões em produtos do Canadá, os esforços finais não avançaram, levando Ottawa a prometer medidas de retaliação equivalentes às tarifas impostas pelos EUA.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que os Estados Unidos não conseguiram alcançar um entendimento que atendesse aos objetivos do Canadá, levando-o a suspender as negociações e ordenar que seus representantes retornassem a Ottawa. Em coletiva de imprensa no sábado, Carney criticou as mudanças de última hora nos termos apresentados pelos americanos, classificando-as como “injustas, antieconômicas e prejudiciais aos benefícios comerciais do Canadá”. Ele também questionou a confiabilidade de um eventual acordo com Washington, alegando que os EUA tentaram limitar os acordos do Canadá com outros países, pedindo demais e oferecendo de menos.

Como resposta, o Canadá anunciou que aplicará tarifas retaliatórias em diversos setores, incluindo aço, laticínios, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, celulose, papel e eletrônicos, a partir de 8 de setembro. Carney reforçou que o país manterá seu “acesso exclusivo” aos minerais essenciais, reafirmando a resistência às pressões americanas. Durante a semana, altos funcionários de ambos os governos estiveram em contato direto, especialmente após o presidente Donald Trump conceder um adiamento de três dias para a implementação das tarifas.

No início da semana, Trump declarou que havia chegado a um acordo com o Canadá, embora ressalvasse que o documento ainda precisava ser finalizado. No entanto, o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que o Canadá recusou-se a concluir o entendimento nos termos inicialmente acordados, que incluíam reduções tarifárias significativas sobre aço, alumínio, automóveis e madeira, além de uma parceria econômica e de segurança considerada histórica pelos americanos. Greer acusou o Canadá de fazer novas exigências e recuar de compromissos anteriores, o que desestabilizou o delicado equilíbrio estabelecido nos últimos dias.

Em entrevista ao programa “Fox & Friends” da Fox News, Greer declarou que os EUA seguirão adiante com suas próprias contramedidas, após o Canadá anunciar retaliações às tarifas americanas. Ele não detalhou as ações específicas, mas afirmou que não há negociações planejadas com Ottawa no momento. A Casa Branca não respondeu aos pedidos de comentário da CNN.

O impasse decorre de uma relação comercial deteriorada desde o retorno de Trump ao cargo, marcado por tarifas impostas sobre setores estratégicos do Canadá, como automóveis, aço e alumínio, que foram retaliadas pelo país vizinho. Apesar de o Canadá ter recuado em medidas retaliatórias mais amplas no ano passado, as tensões persistem, sobretudo devido às restrições canadenses ao mercado de lácteos dos EUA e às proibições de álcool americano impostas por governos provinciais, que Trump considera injustas.

As tarifas atualmente previstas, que envolvem aproximadamente US$ 20 bilhões em mercadorias, representam cerca de 5% do total das importações dos EUA do Canadá no último ano. Apesar de sua abrangência, acredita-se que o impacto sobre os consumidores americanos seja limitado, dada a situação de alta nos preços da gasolina e outros fatores econômicos internos. Ainda assim, o principal efeito do conflito é a retomada da guerra comercial entre os dois países.

Carney afirmou que as tarifas americanas foram concebidas para prejudicar e dividir o Canadá, classificando-as como um erro de cálculo, uma vez que o país sempre cuidou de seus interesses e de seus cidadãos. Em resposta às tensões, Ottawa anunciou a implementação de medidas adicionais de apoio aos trabalhadores e às empresas, totalizando quase US$ 25 bilhões nos últimos 18 meses. O primeiro-ministro destacou que o crescimento econômico do Canadá está em ritmo acelerado e que o país não permitirá que nenhuma nação dite seu futuro.

Quanto às negociações futuras, o governo americano considerava reduzir as tarifas sobre aço, alumínio e automóveis, atualmente de 50% para 25% ou até 15%, dependendo do setor. Trump também tem reclamado das restrições canadenses ao mercado de lácteos, que utiliza cotas para limitar as importações americanas, restringindo as vendas adicionais de produtos lácteos dos EUA. O presidente afirmou que o acordo, ainda pendente de formalização, seria benéfico para os agricultores americanos, que têm sofrido com as restrições do Canadá.

Trump também busca usar uma lei pouco empregada da década de 1930, a Seção 338, para impor tarifas de até 50% ao Canadá de forma mais rápida e sem prazo de validade definido, o que poderia prolongar indefinidamente as medidas tarifárias, a menos que seja decidido o contrário por seu governo ou por futuros mandatários. Essa legislação, que ainda enfrenta incertezas jurídicas, amplia o poder do Executivo em questões tarifárias, atingindo uma gama de quase 500 itens canadenses, além de evitar a aplicação de tarifas sobre energia, minerais essenciais e produtos pesqueiros, que permanecem fora do escopo atual.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade