A Central de Atendimento à Mulher, conhecida como Ligue 180, registrou 98.705 denúncias de violência contra mulheres no período de janeiro a julho de 2026, segundo dados atualizados pelo Painel de Dados do Ligue 180, mantido pelo Ministério das Mulheres. Este número representa um aumento de 14,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizadas 86.025 denúncias. A ampliação de registros corresponde a 12.680 denúncias adicionais em apenas sete meses, indicando uma tendência de crescimento na procura pelos canais de denúncia.
O crescimento foi mais expressivo nos três primeiros meses de 2026, período em que foram registradas 45.742 denúncias, um aumento de 23,2% em comparação ao primeiro trimestre de 2025, que teve 37.139 registros. No acumulado do primeiro semestre, o total chegou a 86.272 denúncias, consolidando uma alta significativa na demanda por assistência e denúncia de casos de violência contra a mulher.
Março de 2026 destacou-se como o mês com maior número de denúncias, com 16.864 registros, seguido de janeiro, com 15.609, e abril, com 14.989. Os meses de maio, fevereiro, julho e junho apresentaram volumes menores, sendo este último o mês com o menor número de denúncias até então, com 12.154 registros.
No comparativo com todo o ano de 2025, que totalizou 154.671 denúncias, o volume até julho de 2026 já corresponde a 63,8% do total do período anterior. Em média, o serviço registra aproximadamente 466 denúncias por dia, o que equivale a uma denúncia a cada três minutos, demonstrando a gravidade e a frequência das ocorrências de violência contra a mulher no país.
O total de violações de direitos relacionadas às denúncias do Ligue 180 soma 554.843, considerando que uma única denúncia pode envolver múltiplas formas de violência. Assim, a média de violações por denúncia é de 5,6, o que indica a complexidade e a multiplicidade de abusos relatados em um mesmo relato. Este número já representa 81,9% do total de violações contabilizadas durante todo o ano de 2025, que foi de 677.873 registros.
A maior parte das denúncias refere-se à Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), responsável por 80.846 registros, ou seja, 81,9% do total, totalizando 494.303 violações relacionadas a situações de violência doméstica, familiar ou em relações íntimas de afeto. Além dessas, há 17.858 denúncias que abrangem contextos fora da legislação específica, incluindo ocorrências em espaços públicos ou privados, conforme classificação baseada na Convenção da ONU para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (Cedaw).
O ambiente doméstico permanece como o principal cenário de violência relatada ao Ligue 180, concentrando 70.745 denúncias, que representam 71,7% do total de registros em 2026. Desse total, 39.436 denúncias ocorreram na residência da vítima, e 31.309 na residência compartilhada por vítima e suspeito. Outros locais relevantes incluem a casa do suspeito (5.213 denúncias), ambientes virtuais (4.171), vias públicas (2.793), locais de trabalho (1.669) e residências de familiares (1.239).
A frequência das agressões também revela a persistência da violência, com 27,1% das denúncias (26.790) relatando episódios diários. Outras denúncias indicam agressões ocasionais, semanais ou mensais, enquanto 28.336 casos não tiveram a frequência especificada. Quanto à duração dos episódios, mais de um terço das denúncias (36,3%) indicam que a violência já perdurava por mais de um ano, sendo 19.957 casos há mais de um ano, 7.414 há mais de cinco anos e 8.434 há mais de dez anos. Em contrapartida, 8.459 denúncias referem-se a episódios iniciados há um mês, e 4.982, há uma semana.
A maior parte das denúncias é feita pela própria mulher, com 66.921 registros (67,8%). Terceiros responderam por 31.681 relatos, enquanto o agressor, em casos isolados, também realizou denúncias, totalizando 102 registros.
Na distribuição por estados, São Paulo lidera com 23.911 denúncias, seguido pelo Rio de Janeiro (14.122) e Minas Gerais (9.285). Ainda assim, há 9.414 registros sem a indicação de unidade federativa, número superior ao de alguns estados.
Apesar do crescimento na quantidade de atendimentos, o telefone continua sendo o principal canal de contato, respondendo por 84,95% do total entre janeiro e julho de 2026, com 576.504 ligações. Outros meios, como e-mail (70.446 atendimentos, 10,38%) e WhatsApp (31.607, 4,66%), também tiveram participação significativa, enquanto videochamadas responderam por apenas 63 atendimentos.
A plataforma do Ligue 180 atingiu a marca de mais de 1 milhão de registros em 2026, totalizando 1.035.647 até o final de julho, o que representa um crescimento de 90,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 542.737 registros. Entre os sete primeiros meses, há um aumento de 492.910 registros, indicando uma forte expansão na utilização dos canais de denúncia e de informações.
Quando comparado ao total de 2025, que foi de 1.088.460 registros, o volume de 2026 já corresponde a 95,1%, faltando pouco para alcançar o total anual. Os registros mais comuns incluem informações sobre o funcionamento da Central (85.778 em 2025, já 200.989 em 2026) e políticas públicas e campanhas para as mulheres (de 31.252 em 2025 para 132.042 neste ano).
Os atendimentos realizados pelos canais de comunicação também cresceram, passando de 594.118 em janeiro a julho de 2025 para 678.620 no mesmo período de 2026, um aumento de 14,2%.
Por fim, é importante ressaltar que esses números representam apenas as denúncias e atendimentos recebidos pelo Ligue 180, não refletindo a totalidade dos casos de violência contra mulheres no Brasil. Muitos episódios não chegam ao conhecimento da Central ou de outros órgãos, e uma mesma mulher pode realizar múltiplos contatos, com diferentes tipos de violência agrupados em uma única denúncia.
A Central de Atendimento à Mulher funciona gratuitamente 24 horas por dia, todos os dias da semana, podendo ser acionada pelo telefone 180, pelo WhatsApp (61) 9610-0180 ou pelo e-mail [email protected]. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.