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Dívida dos Estados Unidos ultrapassa US$ 40 trilhões, aumento sob governos Trump e Biden

•Aaron Burden/Unsplash

Os Estados Unidos atingiram oficialmente a marca de US$ 40 trilhões em dívida pública total, um patamar sem precedentes na história do país, conforme divulgado pelo Departamento do Tesouro nesta quarta-feira. Este marco evidencia o crescimento exponencial da dívida federal ao longo dos últimos anos, impulsionado por políticas fiscais adotadas durante os mandatos dos presidentes Donald Trump e Joe Biden, além de indicar uma possível crise fiscal de proporções significativas.

O relatório diário do Tesouro revelou que, na terça-feira, a dívida pública em aberto atingiu US$ 40,047 trilhões. Este total inclui US$ 32,266 trilhões em títulos do Tesouro detidos pelo público e US$ 7,782 trilhões em participações em dívida intragovernamental. O aumento expressivo da dívida reflete uma trajetória de mais de uma década de crescimento, uma vez que, em janeiro de 2017, quando Trump assumiu o cargo, a dívida total era de aproximadamente US$ 19,95 trilhões. Assim, em menos de sete anos, a dívida mais que dobrou, evidenciando uma escalada que preocupa analistas e grupos de fiscalização orçamentária.

Parte considerável deste aumento ocorreu durante os dois anos de resposta à pandemia de COVID-19, quando o governo americano adotou empréstimos massivos para financiar medidas emergenciais de assistência social e estímulo econômico sob as administrações Trump e Biden. Além disso, o restante do crescimento da dívida é atribuído às decisões de política fiscal de ambos os presidentes, incluindo cortes de impostos e gastos elevados, que agravaram os desequilíbrios históricos entre receitas e despesas públicas.

Especialistas e organizações de fiscalização orçamentária vêm alertando há semanas que o limite de US$ 31,4 trilhões, imposto pelo Congresso, poderia ser ultrapassado em breve, o que já ocorreu. Alguns alertam que uma crise de dívida de grande escala é iminente, a menos que haja medidas concretas para reequilibrar as contas públicas, como aumento de impostos ou redução de gastos. Margaret Spellings, CEO do Bipartisan Policy Center, destacou recentemente que a situação reflete uma discrepância fundamental, pois os programas federais consomem recursos muito superiores às receitas arrecadadas, enquanto itens essenciais do orçamento permanecem sob controle automático, elevando os custos de vida e limitando investimentos futuros.

No cenário internacional, os credores globais dos EUA demonstram sinais de cautela. Após um leilão de US$ 25 bilhões em títulos do Tesouro de 30 anos atingir o maior rendimento desde 2021, os rendimentos desses títulos de longo prazo atingiram níveis elevados, próximos a uma década, refletindo a maior exigência de compensação por parte dos investidores diante da emissão de títulos pelo governo. Para conter essa tendência, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou a duplicação das recompras de títulos de 10 a 30 anos, elevando o volume para pelo menos US$ 4 bilhões por operação, numa tentativa de reduzir os rendimentos e estabilizar o mercado.

Por outro lado, a demanda estrangeira por títulos do Tesouro tem diminuído, o que aumenta a vulnerabilidade do mercado de títulos americanos. Investidores internacionais detêm quase um terço de toda a dívida pública dos EUA, e a redução nesse volume pode ampliar a volatilidade, conforme apontado por analistas. Na semana passada, o Tesouro divulgou um déficit de US$ 432 bilhões em julho, o quarto maior da história do país, resultado de reembolsos de tarifas alfandegárias, receitas negativas por três meses consecutivos e gastos crescentes com Previdência Social e Medicare.

O déficit acumulado nos primeiros dez meses do atual ano fiscal já superou o total do déficit de todo o período de 2025, mesmo com dois meses restantes até o encerramento do ciclo fiscal. Desde o início do primeiro mandato de Trump, em 2017, a dívida pública aumentou em US$ 7,8 trilhões, sendo que mais da metade desse crescimento ocorreu durante a resposta à pandemia, nos últimos nove meses de seu governo. Desde a sua reeleição, em janeiro de 2025, a dívida aumentou em US$ 3,8 trilhões, elevando o total de crescimento durante seus dois mandatos para US$ 11,6 trilhões.

Durante o mandato de Biden, a dívida cresceu em US$ 8,4 trilhões, impulsionada por gastos com a recuperação da COVID-19, investimentos em infraestrutura, subsídios para energia limpa e outras políticas de seu partido. Segundo o Comitê para um Orçamento Federal Responsável, organização independente, as decisões fiscais de ambos os presidentes contribuíram para uma trajetória de endividamento que excede o que teria sido previsto sob as leis de gastos vigentes ao início de seus mandatos. Destaca-se que o pacote legislativo do segundo mandato de Trump, conhecido como One Big Beautiful Bill Act, deve acrescentar US$ 4,7 trilhões à dívida, conforme o Congressional Budget Office.

Embora Trump tenha declarado foco na redução de custos durante seu segundo mandato, a maior parte de suas ações resultou em cortes de gastos em programas discricionários, que representam uma parcela menor do orçamento federal. Os Estados Unidos atualmente gastam cerca de US$ 7 trilhões ao ano, sendo que aproximadamente 60% desse valor destinam-se a programas obrigatórios, como Previdência Social, Medicare, Medicaid e assistência a veteranos, que tendem a crescer conforme o custo de vida aumenta. Além disso, US$ 1,1 trilhão são utilizados para o pagamento de juros da dívida, cujo custo aumenta à medida que a dívida cresce e as taxas de juros sobem. Em 2025, os custos com juros superaram os gastos com o Medicare pela primeira vez, e nos primeiros dez meses de 2026, esses custos já superaram o orçamento destinado ao sistema de saúde, tornando-se a segunda maior despesa do governo federal, atrás apenas da Previdência Social. Essa pressão financeira evidencia o desafio de sustentar os custos de aposentadoria e saúde da geração do “baby boom”, enquanto a arrecadação de impostos não acompanha o ritmo de gastos, ameaçando a estabilidade econômica do país a longo prazo.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade