A companhia aérea Azul Airlines anunciou que deverá realizar novos ajustes na sua capacidade operacional durante o terceiro trimestre de 2023, após uma série de cortes significativos realizados anteriormente, com a expectativa de retomar o crescimento nos meses finais do ano. A informação foi divulgada pelo CEO da empresa, John Rodgerson, na última quinta-feira, dia 13 de outubro, em uma declaração à Reuters.
No segundo trimestre de 2023, a Azul reduziu sua capacidade em 10,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, uma redução sem precedentes na história da companhia. Essa diminuição incluiu uma diminuição de 24,9% nas operações internacionais, reflexo de um contexto de instabilidade geopolítica envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que interrompeu o fluxo de petróleo e elevou de forma expressiva os preços do combustível de aviação. Segundo Rodgerson, o pico da crise de combustíveis ocorreu justamente no segundo trimestre, que tradicionalmente é considerado um dos períodos mais fracos do setor aéreo, o que levou a Azul a adotar medidas de contenção de capacidade.
O executivo destacou que a estratégia de redução foi considerada a mais adequada diante do cenário. “Fizemos o que acreditávamos ser o melhor: reduzir a capacidade”, afirmou Rodgerson. A previsão para o terceiro trimestre é de uma nova redução na capacidade operacional de aproximadamente 4%, antes de a companhia iniciar uma fase de retomada de crescimento a partir do quarto trimestre, período em que a Azul planeja concluir a transição para uma frota composta por aeronaves de fuselagem larga, que devem ampliar sua oferta de assentos e rotas de forma mais eficiente.
Rodgerson também reforçou seu otimismo em relação ao mercado de aviação brasileiro, destacando a resiliência da demanda doméstica. “Os fundamentos no Brasil estão muito bons neste momento, e acreditamos que estamos bem posicionados para enfrentar os desafios”, afirmou. Ele acrescentou que, embora crises e guerras não sejam situações permanentes, a recuperação e o equilíbrio do setor dependem de uma visão de longo prazo.
A Azul também divulgou seus resultados financeiros referentes ao segundo trimestre, no qual obteve receita operacional recorde de R$ 4,98 bilhões, um crescimento de 0,7% na comparação anual. Apesar do aumento na receita, o EBITDA caiu 55,4%, atingindo R$ 510,1 milhões, em decorrência do aumento de 61,8% no custo do combustível por litro, que elevou os gastos em aproximadamente R$ 700 milhões no trimestre. Esses fatores refletiram o impacto da crise de combustíveis e a necessidade de ajustar a capacidade para manter a sustentabilidade financeira.
A companhia, que passou por um processo de recuperação judicial de nove meses iniciado em fevereiro, afirmou que sua estratégia de mudança de foco, de expansão para busca de rentabilidade e eficiência operacional, tem mostrado resultados positivos. Segundo Rodgerson, o aumento das tarifas aéreas contribuiu para compensar parte do aumento dos custos, ajudando a melhorar a receita unitária, mesmo diante do cenário desafiador.
Ele concluiu destacando que, apesar das dificuldades enfrentadas, a Azul permanece otimista quanto ao futuro do mercado de aviação no Brasil, reforçando a expectativa de que os momentos de crise são temporários e que a retomada do crescimento está prevista para o final de 2023.