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Brasil registra perda de 14% de cobertura de vegetação nativa em 40 anos, aponta estudo do MapBiomas

Uma análise detalhada do MapBiomas revela que, ao longo de 41 anos, o Brasil perdeu cerca de 14% de sua cobertura de vegetação nativa, passando de 79% do território em 1985 para 65% em 2025. Apesar de uma recente redução no ritmo do desmatamento, o país continua a enfrentar uma diminuição significativa de áreas naturais, que vêm sendo substituídas por usos antrópicos, como agricultura, pecuária e urbanização. Essa transformação da paisagem natural expõe o território brasileiro aos efeitos de eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, cuja intensidade tem se agravado especialmente durante anos de forte El Niño, fenômeno climático que tende a se repetir com maior intensidade até 2026.

O estudo, parte da Coleção 11 dos mapas anuais de cobertura e uso da terra do Brasil, destaca que a redução na precipitação durante os períodos de setembro a novembro, associada aos eventos de El Niño ocorridos em 1997, 1998, 2015, 2016, 2023 e 2024, tem sido mais severa na maior parte dos biomas brasileiros. A Amazônia, por exemplo, apresentou o maior déficit de precipitação nesses eventos, especialmente nas áreas de agropecuária, onde a seca se intensificou em relação aos anos anteriores. O Cerrado e a porção norte da Mata Atlântica também sofreram com a redução de chuvas, enquanto o Pampa e a região sul da Mata Atlântica registraram aumento na precipitação durante esses períodos.

O impacto das mudanças climáticas é evidente na redução de áreas de água e de campos alagados, especialmente no Pantanal, que sofreu uma diminuição de 84% na extensão de sua savana alagada — uma nova classe de mapeamento introduzida na análise, que passou de 1,1 milhão de hectares em 1985 para apenas 174 mil hectares em 2025. O bioma, que tradicionalmente apresenta extensas áreas de água, também viu encolhimento de cerca de 4 milhões de hectares de superfícies de água e áreas alagadas ao longo do período.

No âmbito da cobertura vegetal, a Formação Florestal permanece como a principal cobertura natural do Brasil, ocupando aproximadamente 42,3% do território, ou seja, cerca de 359,5 milhões de hectares em 2025. Contudo, essa formação foi a que mais perdeu área desde 1985, com uma redução acumulada de 65 milhões de hectares. Ainda assim, ela concentra a maior parte das áreas que permaneceram inalteradas ao longo de quatro décadas, com cerca de 335 milhões de hectares de vegetação nativa estável. Outras formações, como a Savânica, também sofreram perdas expressivas, de 46 milhões de hectares, enquanto áreas de uso humano, como pastagens e agricultura, expandiram-se significativamente — 61,6 milhões e 48 milhões de hectares, respectivamente.

A análise por biomas evidencia que a Amazônia e o Cerrado sofreram as maiores perdas absolutas de vegetação nativa, com reduções de 53,9 milhões e 51,7 milhões de hectares, respectivamente, entre 1985 e 2025. Em termos proporcionais, o Cerrado e o Pampa apresentaram as maiores taxas de perda, com 34% e 32% de redução na vegetação nativa, respectivamente. Ainda assim, a Amazônia e o Pantanal continuam sendo os biomas com maior proporção de vegetação nativa, ambos com mais de 80% de suas áreas preservadas. A Mata Atlântica, por sua vez, mantém a menor proporção de vegetação nativa — cerca de 32% — refletindo o histórico de desmatamento ocorrido antes do período de monitoramento por satélites.

A nível estadual, a tendência de redução na cobertura vegetal é observada em 25 unidades federais e no Distrito Federal, sendo que apenas o Rio de Janeiro apresentou aumento de 1% na vegetação nativa durante o período. Estados como Rondônia, Maranhão, Mato Grosso e Tocantins tiveram reduções expressivas, com perdas de cerca de 30 pontos percentuais na cobertura de vegetação nativa, indicando uma intensificação do desmatamento e das transformações ambientais na região Norte e Centro-Oeste. Já em estados com ocupação mais consolidada, como São Paulo e Paraná, as mudanças foram menores, refletindo uma estabilização relativa na cobertura natural dessas áreas.

Este levantamento reforça a necessidade de ações de conservação e de políticas públicas voltadas à proteção das áreas remanescentes de vegetação nativa, diante do avanço das transformações ambientais e das mudanças climáticas que ameaçam a estabilidade ecológica e o equilíbrio climático do Brasil.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade