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Inflação ao produtor na China atinge menor nível em três meses em julho, impulsionada por recuo nos preços globais de energia

Os dados oficiais divulgados neste domingo (9) revelaram que a inflação ao produtor na China desacelerou em julho, atingindo o seu nível mais baixo em três meses. O índice de preços ao produtor (PPI) registrou uma alta de 3,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior, indicando uma desaceleração frente aos 4,1% observados em junho. Este resultado ficou abaixo das expectativas de analistas, que previam um aumento de 3,8%, conforme levantamento realizado pela Reuters.

A redução no índice de preços ao produtor reflete uma tendência de desaceleração na economia chinesa, influenciada principalmente pela diminuição nos preços globais de energia, apesar do contexto geopolítico de conflitos envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã. Os preços ao produtor foram impulsionados, sobretudo, pelos setores de mineração e matérias-primas, que apresentaram aumentos significativos, enquanto os preços de alimentos e bens de consumo diário tiveram queda.

No âmbito do índice de preços ao consumidor (IPC), a inflação também mostrou sinais de moderamento. O IPC básico, que exclui os custos mais voláteis de alimentos e energia, subiu 0,9% na comparação anual, enquanto os preços dos alimentos recuaram 1,5%. Em relação ao mês anterior, o índice apresentou uma ligeira retração de 0,1%, contrariando a expectativa de alta de 0,2% e após uma queda de 0,3% registrada em junho.

Segundo Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, a desaceleração da inflação está alinhada a outros indicadores de atividade econômica, como o índice PMI (Purchasing Managers’ Index). Zhang destacou que o ímpeto econômico do país enfraqueceu no segundo trimestre, o que contribui para a tendência de menor pressão inflacionária.

As projeções de instituições financeiras também indicam um cenário de contenção da inflação. O banco australiano ANZ estima que o índice de preços ao produtor (PPI) fechará o ano em torno de 2,5%, enquanto o índice de preços ao consumidor (IPC) deve atingir cerca de 1,0%.

A alta nos preços ao produtor foi parcialmente atribuída aos aumentos nos setores de mineração e matérias-primas, que tiveram impacto direto na reversão do quadro deflacionário que vinha predominando na economia chinesa nos últimos anos. Ainda assim, os preços de alimentos e bens de consumo diário apresentaram queda, contribuindo para a desaceleração geral da inflação.

A dinâmica dos preços ao produtor também foi influenciada pelos efeitos dos conflitos internacionais. A guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, além do fechamento do Estreito de Ormuz — uma rota estratégica de passagem de petróleo e gás —, elevaram os custos de energia e ajudaram a reverter a tendência de deflação na China.

Apesar dessas pressões, os esforços do governo chinês para conter as guerras de preços nos principais setores industriais e estabilizar os preços tiveram efeitos limitados até o momento. Economistas apontam que, devido à demanda reprimida por bens, resultado da crise no mercado imobiliário e da insegurança no mercado de trabalho, as pressões deflacionárias provavelmente permanecerão, mantendo o cenário de contenção inflacionária no país.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade