O comércio varejista brasileiro deve registrar um faturamento de aproximadamente R$ 8,52 bilhões durante as celebrações do Dia dos Pais em 2026, conforme projeções divulgadas pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Este valor representa um aumento de 2,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, já considerando a inflação, e marca o melhor desempenho da data em mais de uma década, sendo a quarta maior receita do setor desde 2014.
A expectativa de crescimento é atribuída, principalmente, ao mercado de trabalho mais aquecido. Dados do trimestre encerrado em maio de 2026 indicam uma taxa de desemprego de 5,6%, o menor nível para o período desde 2012, além de uma expansão de 5,0% na massa real de rendimentos em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esses fatores contribuem para o aumento do poder de compra dos consumidores e, consequentemente, para o incremento nas vendas de presentes nesta data comemorativa.
As categorias que devem concentrar a maior parte do faturamento incluem vestuário, com previsão de R$ 3,34 bilhões, perfumaria e cosméticos, estimados em R$ 1,72 bilhão, e utilidades domésticas e eletroeletrônicos, que devem movimentar cerca de R$ 1,31 bilhão. Juntas, essas áreas representam aproximadamente 83% do total de vendas previstas para o período, evidenciando o perfil de consumo predominante na data.
Por outro lado, a CNC alerta para a aceleração dos preços na cesta de presentes, que deve subir 5,8%, acima do índice de inflação projetado pelo IPCA-15, que é de 5,0%. Entre os itens que apresentaram maior alta estão computadores, com aumento de 11,9%, e perfumes, que tiveram alta de 9,8%. Em contrapartida, produtos como televisores e bebidas alcoólicas tiveram queda nos preços, o que pode influenciar as escolhas dos consumidores na hora de presentear.
A expectativa também é de geração de aproximadamente 12.07 mil vagas temporárias no varejo, com uma taxa de efetivação estimada em 14,8%. Essa movimentação no mercado de trabalho temporário reforça a importância do período para o setor, que costuma registrar aumento na contratação de trabalhadores temporários para atender à demanda sazonal.
Segundo o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o desempenho reforça o papel do varejo como “termômetro da economia nacional”. Tadros destacou que o crescimento nas vendas é resultado da melhora no emprego e na renda, mesmo diante de uma política monetária ainda restritiva, com a taxa básica de juros (Selic) elevada. Ele afirmou que o setor demonstra força em datas comemorativas essenciais ao calendário de consumo do país.
Já o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, ressaltou que o crédito permanece como um obstáculo para um crescimento mais robusto do setor. Segundo ele, o alto endividamento das famílias, com 81,64% dos lares com dívidas a vencer pelo quinto mês consecutivo, além de uma inadimplência de 29,9%, próxima do recorde de 30,5% registrado no final do ano passado, atuam como fatores limitantes ao consumo. Bentes destacou que, embora a melhora no emprego e na renda crie um ambiente favorável às vendas, o elevado nível de endividamento e as condições de financiamento fragilizadas dificultam uma expansão mais significativa no setor de comércio varejista nesta data.