O Banco de Brasília (BRB) anunciou a realização de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) com o objetivo de deliberar sobre a adoção de medidas de responsabilização civil contra ex-gestores que tenham sido ou possam ser identificados como responsáveis por prejuízos financeiros causados ao banco. A convocação ocorre em meio às investigações envolvendo operações relacionadas ao ecossistema formado pelo Banco Master e a Reag Investimentos, instituições financeiras que, segundo apurações, teriam contribuído para eventuais danos ao patrimônio do BRB.
A assembleia, agendada para o dia 24 de agosto às 10 horas, será realizada de forma exclusivamente virtual, uma medida que visa facilitar a participação dos acionistas diante do contexto atual. A convocação foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal na segunda-feira, dia 3, e confirmada pela assessoria de imprensa do banco. A iniciativa reforça o compromisso do BRB com princípios de transparência, governança corporativa e a proteção dos interesses de seus acionistas, buscando, sobretudo, o ressarcimento de eventuais prejuízos ao patrimônio institucional decorrentes de operações suspeitas ou irregulares.
Entre os pontos de destaque na pauta, está a análise de possíveis ações judiciais contra ex-dirigentes, incluindo a responsabilização civil por eventuais danos causados ao banco. Essa medida ocorre em um momento de maior atenção às investigações que envolvem o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, atualmente preso preventivamente desde 16 de abril, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A operação investiga irregularidades e crimes financeiros relacionados às operações do banco e de suas instituições vinculadas.
Paulo Henrique Costa, que liderou o banco até recentemente, encontra-se detido no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Ele é acusado de ter recebido seis imóveis de luxo, avaliados em aproximadamente R$ 140 milhões, do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, também preso na mesma operação. Segundo as investigações da Polícia Federal, esses bens teriam sido transferidos em troca de facilitação de negócios e transações financeiras ilegais, envolvendo as instituições financeiras sob investigação.
O BRB reforça, em nota oficial, que suas atividades continuam normalmente, mesmo diante do contexto investigativo. A instituição afirma que mantém sua rotina operacional, colaborando com as autoridades competentes e adotando todas as medidas necessárias para fortalecer seus controles internos, proteger seu patrimônio e garantir a segurança dos interesses de clientes, acionistas e da sociedade em geral. A postura demonstra o compromisso do banco em responder às investigações de forma transparente, ao mesmo tempo em que busca assegurar a estabilidade de suas operações e a integridade de sua gestão.