A herpes congênita, infecção neonatal pelo vírus herpes simples, se destaca como uma das condições mais severas enfrentadas por recém-nascidos. Transmitida durante a gestação ou no parto, esta doença exige atenção especial, pois muitas vezes resulta em internação prolongada na UTI. Um estudo recente do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde (CEPPS), publicado na revista Antimicrobial Stewardship & Healthcare Epidemiology, revela que a herpes congênita é responsável por 32% das internações de bebês no Sistema Único de Saúde (SUS) devido a infecções congênitas.
Embora menos comum que outras infecções como sífilis ou toxoplasmose, a herpes é particularmente agressiva nos recém-nascidos, podendo ocasionar complicações neurológicas e até mesmo a morte. Segundo o Dr. Marco Aurélio Sáfadi, presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, a infecção pode afetar múltiplos órgãos, manifestando-se através de lesões cutâneas, febre, letargia e icterícia.
O diagnóstico precoce é crucial e pode ser realizado por meio de testes simples, como exames de sangue ou coleta de secreções. O tratamento exige internação de duas a três semanas, utilizando antivirais intensos, o que encarece a assistência, com um custo médio de US$ 444 por paciente, sendo esse o mais elevado entre as condições analisadas.
O estudo, que abrangeu dados de internações no SUS entre 2008 e 2024, também destaca a desigualdade no acesso a tratamento adequado, com muitas crianças obrigadas a viajar longas distâncias para receber cuidados especializados. Essa realidade evidencia lacunas significativas na assistência neonatal no Brasil, afetando diretamente os prognósticos dos pequenos pacientes.