Na tarde desta segunda-feira (24/2), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deu continuidade ao julgamento da ação penal que investiga os supostos mandantes dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em 2018 no Rio de Janeiro.
O processo começou com a apresentação do relatório do caso pelo ministro Alexandre de Moraes, seguido pelo pedido de condenação de cinco suspeitos feito pela Procuradoria-Geral da República. Em seguida, a Defensoria atuou em suporte à acusação.
Atualmente, as defesas dos réus estão se manifestando. Durante uma hora de argumentação, os advogados do delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, contestaram a delação premiada de Ronnie Lessa, enfatizando a ausência de evidências que ligassem Rivaldo aos irmãos Brazão.
O advogado Marcelo Souza apresentou um vídeo das declarações dos suspeitos no STF, onde Rivaldo expressa sua indignação ao recordar o momento de sua prisão, após ser mencionado na delação de Lessa.
A defesa ressaltou que Rivaldo assumiu a chefia da PCRJ um dia antes dos assassinatos, alegando que não haveria como ele ter participado de um plano que teria sido elaborado anteriormente. “Isso não faz sentido, ministros, pois um plano supostamente traçado meses antes não pode depender da aprovação de quem acabou de assumir o cargo, especialmente sem provas concretas que conectem essa decisão”, destacou Marcelo.
Os advogados também contestaram a acusação de que Rivaldo teria tentado obstruir as investigações do caso Marielle. Para eles, a atuação do ex-chefe da PCRJ foi fundamental para o progresso das apurações, já que, segundo a defesa, uma de suas indicações foi responsável por descobrir os verdadeiros executores do crime. “Se houvesse realmente a intenção de obstruir as investigações ou proteger alguém, o indicado por Rivaldo, Giniton [Lages], teria deixado o Gaeco seguir por um caminho errado. Mas não foi isso que aconteceu. Giniton foi quem prendeu Ronnie Lessa e também capturou Elton Queiroz”, completou Marcelo.