Um relatório da Transparência Internacional, divulgado nesta terça-feira (10/2), revela que o Brasil ocupa a 107ª posição entre 182 países e territórios no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2025. Essa marca representa a segunda pior nota do país desde o início do monitoramento. O documento menciona escândalos como o envolvimento do Banco Master, desvios de emendas, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro, envolvendo figuras políticas e se estendendo por pelo menos cinco estados.
Com 35 pontos em uma escala que vai de 0 a 100, o Brasil mantém sua posição no ranking, apesar de uma ligeira melhora de um ponto em relação a 2024. Contudo, segundo a Transparência Internacional, tal variação não é estatisticamente significativa, colocando o país muito abaixo da média global e da América Latina, que é de 42 pontos.
“Mesmo com a atenção internacional em 2025 voltada para a resposta contundente do Supremo Tribunal Federal em responsabilizar o ex-presidente Bolsonaro e outros envolvidos em ameaças à democracia, o Brasil também chocou o mundo com casos macrocorrupção sem precedentes, como os relacionados ao INSS e ao Banco Master, além da impunidade generalizada para corruptos confessos e comportamentos desonrosos de membros do próprio STF”, observa Bruno Brandão, diretor executivo da Transparência Internacional-Brasil.
“A corrupção mina a democracia de forma profunda, e o Brasil precisa urgentemente priorizar e enfrentar esse problema”, acrescenta.
O relatório destaca investigações de grande relevância ao longo do ano, como os desvios de emendas parlamentares, fraudes previdenciárias e a maior fraude bancária já registrada no país, referente ao Banco Master. Embora mencione avanços, como o uso ampliado de inteligência financeira no combate à lavagem de dinheiro, critica a resposta do governo federal a alguns escândalos, considerando-a tardia e com contornos políticos controversos, como no caso do INSS.
“Apesar do Brasil ter sido elogiado internacionalmente pela ação firme do Supremo Tribunal Federal contra os envolvidos em ataques à democracia, o país também se destacou por escândalos de corrupção sem precedentes e episódios de impunidade”, ressalta Bruno Brandão.
Diante do que foi constatado, a Transparência Internacional enfatiza a urgência de retomar uma agenda robusta de combate à corrupção, com maior coordenação institucional e fortalecimento dos mecanismos de controle e transparência. O relatório inclui uma série de recomendações direcionadas aos três poderes da República, visando melhorar a situação da corrupção no país.
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