Pelo menos duas legendas do denominado “Centrão” optaram por se desvincular do diretório estadual do PL em Santa Catarina, decidindo seguir um “plano próprio” após se sentirem “traídas” pelo partido conservador. O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) foi a primeira sigla a se pronunciar sobre a questão, emitindo uma nota na última segunda-feira (26/1).
Após uma reunião do diretório, o MDB-SC declarou que “a partir deste momento, iniciará a elaboração de um projeto próprio para as eleições ao Governo do Estado em 2026”. A nota também menciona que o partido “estará aberto ao diálogo com outras legendas que compartilhem dos mesmos princípios, valores e ideais emedebistas, visando à formação de alianças políticas responsáveis e comprometidas com o progresso de Santa Catarina”.
Além disso, o MDB orientou seus membros a se afastarem de quaisquer cargos que ocupem no governo estadual.
A ruptura aconteceu em decorrência de uma “quebra de aliança” por parte do governador Jorginho Mello (PL-SC), que, segundo informações obtidas pelo Metrópoles, decidiu romper o acordo para viabilizar a candidatura do vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) ao Senado.
Outro fator que desagradou os líderes do Centrão foi o convite feito pelo governador ao prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), para ser seu vice na chapa nas eleições de 2026.
Diante dessa situação, o grupo político decidiu formar uma nova aliança interna. Fontes consultadas pela reportagem indicam que a união mais provável será entre PSD e MDB, visando apoiar o prefeito de Chapecó (SC), João Rodrigues (PSD-SC), em sua candidatura ao governo do estado. A questão do apoio ao Senado ainda está sendo debatida.
Outras siglas centristas, como o Republicanos, afirmaram que continuarão alinhadas ao governador, enquanto o União Brasil ainda não se manifestou sobre a situação.
A confusão no espectro político da direita catarinense começou com o anúncio da pré-candidatura do filho do ex-presidente Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina. A deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) se manifestou contra essa candidatura, alegando que Carlos “bagunçou” o cenário local, já que o PL já havia definido seus pré-candidatos para as duas vagas ao Senado.
Anteriormente, a deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) já havia se declarado pré-candidata ao Senado, e outro nome considerado pelo bolsonarismo seria o do senador Esperidião Amin (PP-SC). De acordo com a deputada, De Toni representaria a chapa pura do partido, enquanto Amin receberia apoio por meio de coligação. A candidatura de Carlos “forçaria” a deputada federal a deixar o partido para concorrer ao Senado.