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Portugal vai às urnas neste domingo em meio a possível avanço da extrema direita

Foto: Reprodução

Um número recorde de 11 candidatos disputa a eleição presidencial de Portugal neste domingo (18), com um líder populista pronto para possivelmente levar mais um avanço político para os partidos de extrema direita em ascensão na Europa.
O grande número de candidatos torna improvável que algum deles consiga mais de 50% dos votos para vencer no primeiro turno. Nesse cenário, os dois mais votados disputarão um segundo turno no próximo mês.
Quase 11 milhões de pessoas estão aptas a votar, e a maioria dos resultados é esperada para o fim do dia. O vencedor substituirá o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que chega ao limite de dois mandatos de cinco anos. As urnas abriram às 8h da manhã, no horário local, num dia predominantemente ensolarado em todo o país, e estão previstas para fechar 12 horas depois.
Principais candidatos
Entre os favoritos, segundo pesquisas recentes, está André Ventura, líder do partido populista Chega. A escalada do apoio público ao Chega fez da legenda a segunda maior do Parlamento português no ano passado, apenas seis anos após sua fundação.
Um dos principais alvos de Ventura tem sido o que ele chama de imigração excessiva, à medida que trabalhadores estrangeiros se tornaram mais visíveis em Portugal nos últimos anos. “Portugal é nosso”, diz ele.
Durante a campanha eleitoral, Ventura espalhou outdoors em todo o país dizendo: “Isto não é Bangladesh” e “Os imigrantes não devem ter direito a viver da assistência social”.
Outros candidatos bem posicionados são dos dois principais partidos que se alternaram no poder ao longo do último meio século: Luís Marques Mendes, do Partido Social Democrata (centro-direita), atualmente no governo, e António José Seguro, do Partido Socialista (centro-esquerda).
Também se espera uma disputa forte do contra-almirante reformado Henrique Gouveia e Melo, que concorre como independente e ganhou reconhecimento do público por supervisionar a rápida implementação das vacinas contra a covid-19 durante a pandemia. Apenas uma mulher está entre os candidatos. Portugal nunca teve uma mulher ou uma pessoa não branca como chefe de Estado.
Desafios para o próximo presidente
Em maio passado, Portugal realizou sua terceira eleição geral em três anos, em seu pior período de instabilidade política em décadas. Estabilizar o cenário será um dos principais desafios do próximo presidente.
Ventura, o líder populista, tentou transformar a imigração em um tema de campanha, mas os eleitores parecem mais preocupados com a crise imobiliária e o custo de vida. Uma lei que permite a eutanásia e o suicídio assistido por médicos, aprovada pelo Parlamento em 2022, mas travada por questionamentos constitucionais, deve chegar à mesa do presidente para sanção.
O que está em jogo
Em Portugal, o presidente é em grande medida uma figura simbólica, sem poder executivo. Em geral, o chefe de Estado busca se manter acima das disputas políticas, mediando conflitos e reduzindo tensões.
Ainda assim, o presidente é uma voz influente e possui algumas ferramentas poderosas, podendo vetar leis aprovadas pelo Parlamento, embora o veto possa ser derrubado. O chefe de Estado também possui o que, no jargão político português, é chamado de “bomba atômica”: a prerrogativa de dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas.
Os acontecimentos políticos em Portugal têm pouco impacto sobre o rumo geral da União Europeia. O país tem uma das menores economias do bloco, e suas Forças Armadas são de porte modesto.
O que vem a seguir
Um segundo turno entre os dois mais votados deste domingo será realizado em 8 de fevereiro. A disputa definirá quem cumprirá um mandato de cinco anos no “Palácio Rosa” do presidente, em Lisboa. (Com informações de O Estado de S.Paulo)

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade